Eleição deste ano contará com todos os governadores eleitos do Amazonas em atividade
Amazonino Mendes, Eduardo Braga, José Melo, Wilson Lima e Omar Aziz figuram como pré-candidatos a cargos que vão de deputado a governador
Todos os governadores eleitos do Amazonas, ainda vivos, aparecem como pré-candidatos em 2022. Além do atual ocupante do cargo, mais quatro ex-governadores devem disputar as eleições. Wilson Lima (PSC) concorrerá à reeleição, tendo como principais oponentes, até o momento, o senador Eduardo Braga (MDB) e Amazonino Mendes.
Os ex-governadores Omar Aziz (PSD) e José Melo ( Pros) também figuram na disputa. O primeiro tentará a recondução ao Senado, enquanto o segundo busca retomar a carreira política, interrompida pela cassação em 2017, com uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).
Wilson Lima, que encerra o terceiro ano de mandato, dispõe da força da máquina pública, tem promovido ações em conjunto com o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e se alinhou desde o início do seu mandato ao governo Bolsonaro, de quem espera apoio à sua reeleição. Enquanto Eduardo Braga, governador duas vezes, conta com o apoio de alguns prefeitos do interior entre eles o de Manacapuru, Beto D’angelo (Republicanos), que não participou do evento de inauguração da última etapa da duplicação da rodovia AM 70, a Manoel Urbano. O senador foi líder do governo Dilma e atuou como ministro de Minas e Energia na gestão da petista.
Amazonino Mendes, quatro vezes governador, articula o comando do União Brasil no Amazonas, que é derivado da fusão do PSL e do DEM. Já declarou não ser contra a permanência do presidente estadual do partido, o secretário municipal de Educação do prefeito David Almeida, Pauderney Avelino.
José Melo (dois mandatos parciais de governador) reapareceu no cenário político no início de novembro quando conceder várias entrevistas a meios de comunicação, anunciando sua intenção de concorrer a deputado estadual. Numa delas, na Rádio Tiradentes, disse que após perder o mandato pensou em suicídio. Também não poupou Eduardo Braga de críticas.
Senado
Para o Senado, Omar Aziz (PSD), que governou o Amazonas entre os anos de abril de 2010 a abril de 2014, disputará a única vaga em jogo na próxima eleição com o ex-prefeito Artur Neto (PSDB), que já foi senador. O ex-superintendente da Suframa Coronel Menezes também concorre à vaga de senador. Ele aposta nos votos bolsonaristas, mesma seara buscada pelo ex-vereador e ex-deputado estadual Chico Preto (Avante). Omar tem se aproximado de Lula. Inclusive em fevereiro o ex-presidente deve vir a Manaus e já se fala em um jantar na casa do presidente da CPI da Covid.
Outros temas
Professor da Ufam, o sociólogo Gilson Gil avalia que na campanha o discurso do novo na política e do combate à corrupção que seduziram o eleitorado em 2018 darão lugar a outras demandas:
“Em 2018, como fruto de um processo que vinha desde as jornadas de 2013, que passou pelo impedimento de Dilma e a Lava Jato, prevaleceu o discurso do novo, da novidade na política. Houve um desgaste das elites tradicionais e figuras novas, supostamente sem passado político, surgiram e venceram por todo o país. Porém, esses novos se desgastaram, enfrentaram uma pandemia, inflação, crescimento da miséria e desemprego em níveis crescentes. Em 2022, não são mais tão novos e muitos já sofreram acusações pesadas, como Witzel, do Rio, que foi preso e deposto.
Penso que será uma eleição marcada por outras pautas: Inflação e desemprego são temas que devem aparecer com força. A saúde já estava pior. Caso as mortes diminuam, será um tema menor. Caso voltem a crescer, de novo, será um tema relevante. Moralidade – é uma pauta que agrada muito o presidente e seus seguidores. Esse segmento deve insistir nesse tema, buscando que ele suplante a economia e a saúde. Será um movimento forte nessa direção, que ainda possui uma força relativa em muitos grupos. Corrupção – junto ao novo, foi um tema mais forte. Porém, o desgaste dos eleitos em 2018 fará com que esse ponto reduza de força. No entanto, o presidente e os grupos conservadores poderão acentuá- lo, achando que isso os favorece.
A economia deverá ser mais explorada pelas oposições ou aqueles que querem fazer apelo a um certo passado dourado. Moralidade e corrupção são os temas mais comuns dos grupos conservadores. Creio que, apesar de tudo, o importante será mostrar aos eleitores propostas realistas e concretas, sem grandes ilações. O eleitor está mais pobre, sem esperança e desiludido. Dar esperança e, simultaneamente, propor soluções realistas, sem delírios ou fantasias, talvez seja a chave para entendermos 2022”.