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Eletromobilidade ganha força com expansão e eletropostos ultrarrápidos

Iniciativa foca em locais estratégicos como shoppings e supermercados, consolidando a transição energética e a sustentabilidade no Norte do Brasil em 2026

Publicado em 09/05/2026 às 13h51
Eletromobilidade ganha força com expansão e eletropostos ultrarrápidos
Foto: Junio Matos/A CRÍTICA

Por muitos anos, falar em carros elétricos parecia algo distante da realidade brasileira, ainda mais na região Norte, onde desafios logísticos e estruturais sempre exigiram soluções específicas. Mas esse cenário começa a mudar. Em Manaus, empresas  investem na expansão da infraestrutura de carregamento e acompanham o crescimento de um mercado que avança rapidamente em todo o país.

À frente desse movimento está o empresário Kelvin Dourado, de 33 anos, fundador da empresa Douratech Engenharia e Eletromobilidade, que atua no setor de energia desde 2018 na região Norte.

A conexão de Kelvin com a eletromobilidade nasceu da experiência acumulada no setor energético e da percepção de que o mercado de veículos elétricos crescerá de forma acelerada nos próximos anos.

“Como já atuávamos no setor de energia solar, comecei a acompanhar a evolução dos veículos elétricos no Brasil e percebi que a infraestrutura ainda era muito limitada, principalmente na Região Norte. Foi aí que enxerguei uma oportunidade de atuar em um setor inovador e com grande potencial”, afirma.

A aposta no segmento aconteceu em um momento estratégico. Enquanto o número de veículos elétricos cresce em todo o Brasil, a estrutura de carregamento ainda avança em ritmo mais lento, especialmente fora dos grandes centros urbanos.


Kelvin Dourado, de 33 anos, é fundador da empresa Douratech Engenharia e Eletromobilidade, no Amazonas (Jeiza Russo/A CRÍTICA)

 

Segundo Kelvin, a decisão de empreender no ramo dos eletropostos veio justamente da percepção dessa carência.

“Aumentava a demanda por carregamento de veículos elétricos em Manaus, mas ainda faltava uma estrutura adequada para atender esse público. A motivação foi ajudar no desenvolvimento da mobilidade elétrica na região e oferecer soluções com qualidade, segurança e tecnologia”, explica.

Mercado novo, desafios inéditos

Como acontece em praticamente toda inovação tecnológica, o início do trabalho não foi simples. Um dos maiores desafios foi lidar com a falta de conhecimento sobre o funcionamento dos eletropostos e a ausência de mão de obra especializada.

“Muitas pessoas ainda não entendiam como funcionava um eletroposto. Existiam dúvidas sobre instalação, manutenção e até sobre o crescimento do setor. Era um mercado muito novo na região”, relembra.

Na prática, um eletroposto funciona de forma semelhante a um posto de combustível tradicional, mas abastecendo veículos com energia elétrica. O motorista conecta o carro ao carregador e a bateria é recarregada.

O que ainda gera dúvidas para parte da população, segundo o empresário, é a diferença entre os tipos de carregamento disponíveis.

“Existem cargas lentas, rápidas e ultra-rápidas. Cada uma atende uma necessidade diferente. Hoje a tecnologia já permite carregamentos muito mais rápidos do que há alguns anos”, destaca.

Expansão na região

O primeiro grande projeto da empresa envolveu a instalação de um carregador ultrarrápido no eletroposto Connect, de Anderson Coelho e Liniker Loris, em uma localização estratégica com grande fluxo de veículos e fácil acesso.


Anderson Coelho e Liniker Loris, proprietários da Connect Eletropostos (Jeiza Russo/A CRÍTICA)

 

A escolha dos pontos de instalação, segundo Kelvin, exige uma análise detalhada. Além da infraestrutura elétrica disponível, fatores como segurança, visibilidade e circulação de pessoas fazem toda a diferença.

“Locais próximos a restaurantes, centros comerciais, supermercados e avenidas principais acabam se tornando mais atrativos para os usuários”, explica.

Hoje, a Douratech participa de diferentes projetos ligados à eletromobilidade na região Norte e segue em expansão.

Para Kelvin, a popularização dos carros elétricos já é uma realidade irreversível. O empresário avalia que o consumidor brasileiro começou a perceber as vantagens econômicas e ambientais desse modelo de transporte.

“O crescimento é muito acelerado. As montadoras estão investindo cada vez mais nesse segmento, e o consumidor está entendendo os benefícios da economia e da sustentabilidade”, afirma.

Apesar disso, ele reconhece que o Brasil ainda não possui uma infraestrutura totalmente preparada para acompanhar esse avanço.

“A infraestrutura evolui, mas o crescimento dos veículos elétricos acontece de forma ainda mais rápida. Existe muito espaço para desenvolvimento, principalmente fora dos grandes centros urbanos.”

Mesmo assim, o empresário acredita que o setor vive um momento extremamente promissor.“Como todo mercado novo, existem riscos e desafios, mas a tendência mundial aponta para um crescimento contínuo da eletromobilidade. Quem se posiciona agora sai na frente.”

O futuro é elétrico

A evolução tecnológica também tem acelerado a aceitação dos veículos elétricos. Atualmente, carregadores ultra-rápidos já conseguem realizar recargas em poucos minutos, dependendo do modelo do veículo.

Para os próximos anos, Kelvin imagina cidades cada vez mais adaptadas a essa nova realidade.

“Imagino um mercado muito mais consolidado, com eletropostos espalhados pelas cidades e rodovias, além de uma quantidade muito maior de veículos elétricos circulando. A mobilidade elétrica deve se tornar algo comum no dia a dia das pessoas.”

Embora a substituição total dos veículos a combustão ainda deva levar tempo, ele acredita em uma transição gradual, semelhante ao que já acontece em países mais desenvolvidos.

“O futuro aponta para uma convivência entre as tecnologias durante muitos anos, mas os veículos elétricos vão ganhar cada vez mais espaço.”

Kelvin afirma enxergar propósito no trabalho desenvolvido pela empresa.“O que mais me motiva é participar da transformação tecnológica e sustentável da nossa região. Saber que estamos contribuindo para o desenvolvimento da mobilidade elétrica no Norte do Brasil é algo muito significativo.”

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