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A Crítica
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Eletros aguarda solução para ar-condicionados até o fim do mês

Representante pede modificações no PPB após fabricante de compressores falhar em atender a alta demanda do produto

Publicado em 11/12/2025 às 14h00 · Atualizado em 11/12/2025 às 14h31
Eletros aguarda solução para ar-condicionados até o fim do mês

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento, afirmou que as fabricantes ainda aguardam uma decisão do governo federal para flexibilizar as obrigações do Processo Produtivo Básico (PPB) dos condicionadores de ar em meio à incapacidade da fabricante nacional de compressores em atender à alta demanda do produto. O pleito vem sendo feito desde março e não havia sido resolvido até a última reunião do Conselho Administrativo da Suframa (CAS) de 2025, realizada na manhã desta quinta-feira (11)

“O produto original vendeu tanto que o fabricante de insumos não conseguiu acompanhar. Estamos cheios de problemas de atendimento. Nós devemos ter mais um recorde histórico de produção de ar-condicionados, pelo segundo ano seguido. A gente vai superar 6 milhões de unidades do aparelho”, relatou.

Segundo o presidente, a Tecumseh do Brasil, única fabricante em solo brasileiro dos compressores utilizados em de ar-condicionados, não conseguiu acompanhar a alta produção dos aparelhos montados na Zona Franca de Manaus (ZFM). O entrave levou a Eletros a procurar, ainda no primeiro trimestre, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), chefiado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O pedido da Eletros é de que as obrigações do PPB sejam flexibilizadas. Atualmente, as fabricantes de ar-condicionados devem incluir compressores nacionais em ao menos 12% de sua produção total no ano, a fim de manter os benefícios da ZFM. De acordo com o setor, a Tecumseh do Brasil não conseguiu suprir a alta demanda e colocou em risco as linhas de produção.

Questionado pela reportagem sobre o entrave, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, afirmou que as tratativas sobre o PPB seguem uma análise técnica e aprofundada do MDIC e que certamente entrariam nas discussões da última reunião do CAS.

“O governo federal tem ponderando as recentes movimentações no cenário geopolítico e comercial internacional que podem impactar a cadeia de componentes. No entanto, reconhecemos e reforçamos a urgência desse tema, a definição de um novo marco regulatório é imprescindível para garantir a competitividade e o planejamento estratégico das fabricantes locais”, explicou.

Em setembro, Silva levou o pleito à Confederação Nacional da Indústria (CNI) na presença de Geraldo Alckmin e destacou que não era possível aceitar que um setor inteiro ficasse refém “da incapacidade de um único fornecedor de compressores”.

O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, afirmou que o governo conseguiu chegar a uma boa solução sobre o PPB dos condicionadores de ar, mas não adiantou à reportagem qual seria essa solução.

Bom ano

Apesar desse entrave, os representantes da indústria avaliaram que 2025 foi um ano positivo. Para Antônio Silva, o desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM) foi extremamente positivo, “provando que, mesmo diante de desafios logísticos e cambiais, o modelo Zona Franca mantém sua atratividade e segue batendo metas, sustentando mais de 131 mil empregos”.

“A 321ª reunião do CAS chega para coroar um ano histórico para o Polo Industrial de Manaus, consolidando a confiança do investidor com uma pauta robusta de R$ 1,194 bilhão em investimentos e a previsão de 2.290 novos postos de trabalho. Os indicadores acumulados até outubro, que somam R$ 189,5 bilhões e registram recordes consecutivos de faturamento mensal, demonstram a resiliência e a vitalidade da nossa indústria”, disse.

O dirigente avaliou que, em 2026, a Zona Franca de Manaus deve manter esse ciclo virtuoso, impulsionado pela maturação dos projetos que serão analisados na última sessão do CAS deste ano, destacando que deverá haver um esforço para transformar esses números em produção real, garantindo não só a quantidade como a qualidade dos empregos gerados.

“Encaramos o próximo ano com um otimismo fundamentado nos dados, projetando um cenário de estabilidade e crescimento contínuo, onde o foco será diversificar nosso portfólio tecnológico e assegurar que a indústria do Amazonas continue sendo um pilar de sustentabilidade e desenvolvimento econômico para o país”, concluiu.

Pela Eletros, Jorge Nascimento estima que 2025 repita, e até mesmo supere, os números históricos registrados pelo setor em 2024, puxados especialmente pelos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus (ZFM).

“Novamente em 2025, repetindo 2024, nós temos um aumento muito bom para o setor eletroeletrônico, puxado novamente pelos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus. A Eletros representa indústrias do Brasil todo, em 11 estados do país, mas o ar-condicionado e o televisor, novamente, elevam os indicadores do setor nacional”, destacou.

A expectativa é de que a indústria consiga esses resultados novamente em 2026. O superintendente Bosco Saraiva ressaltou que os números de faturamento e emprego registrados ao longo do ano no PIM “falam por si só” e atribuiu o resultado à aprovação da reforma tributária, “que entregou uma importante segurança jurídica ao nosso modelo de desenvolvimento”.

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