Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho: é possível?
Com o tema “A vida pede equilíbrio!", a 10ª edição da campanha Janeiro Branco alerta para as mudanças cada vez mais aceleradas e desafiadoras que exigem novas habilidades e comportamentos das pessoas, principalmente no ambiente de trabalho
Sabe aquela tradicional jornada semanal de trabalho “de segunda a sexta, das 8h às 17h”? Pois é, ela não existe mais. Após a popularização dos equipamentos portáteis, tais como notebooks, tablets e smartphones, passamos a carregar o trabalho para casa ou para qualquer ambiente onde estejamos (inclusive nas férias e nos finais de semana).
Segundo uma pesquisa da Strategy Analytics, em 2021 quase metade da população mundial (3,95 bilhões de pessoas) já possuía um aparelho celular. A evolução da tecnologia trouxe consigo uma “vida baseada em aplicativos”. Por outro lado, o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19 teve como principal reflexo a confusão dos ambientes e dos nossos papéis sociais. A nova realidade deve ser encarada: não existe mais um horário único e regrado para as atividades profissionais e pessoais.
É bem verdade que ninguém estava preparado para uma mudança tão radical. Muitas pessoas, infelizmente, não souberam dosar a carga de trabalho e acabaram se tornando “workaholics”, fazendo explodir os casos de estresse, ansiedade, depressão, esgotamento mental (burnout) etc. De acordo com o Presidente do Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Estado do Amazonas (SINDSEMP-AM), Marlon Bernardo, “as pessoas carregam consigo uma ideia cultural muito forte de que elas são definidas pela sua profissão. É como se a própria identidade fosse determinada única e exclusivamente a partir do seu trabalho. Além disso, o mundo corporativo foi responsável por “glamourizar” e premiar o profissional que fica além do horário (ou que está sempre online) e entrega resultados muito acima das metas. “Vestir a camisa” virou o lema a ser seguido, mesmo em prejuízo da saúde mental e do bem-estar das pessoas”.
Não é à toa que os Tribunais do Trabalho atuam cada vez mais para romper essa disponibilidade integral (jornada de trabalho indefinida), garantindo em suas decisões o “direito à desconexão”, assegurando ao empregado que o mesmo possa executar outras atividades fora do seu horário de expediente.
Portanto, o tão sonhado equilíbrio entre trabalho e vida pessoal pode sim ser alcançado. Porém, isso depende de uma mudança de mentalidade e de novos comportamentos. Ter uma maior flexibilidade não significa ter mais liberdade. Pelo contrário, é preciso ter disciplina e estabelecer limites e prioridades. Crie uma rotina, organize sua agenda e seus compromissos. O seu dia tem 24 horas e você pode ter uma vida de harmonia e com ótima saúde mental!