Escolas da rede particular de ensino promovem iniciativas para volta às aulas
Retorno das atividades presenciais na rede particular, na capital amazonense, vem criando desafios para pais e gestores
O retorno às aulas presenciais traz verdadeiros dilemas a respeito da segurança, praticidade e economia para famílias que sustentam a educação dos filhos. Em agosto deste ano, o Governo do Amazonas anunciou o retorno presencial nas escolas da rede estadual, promovendo, também, o retorno na rede particular.
Rafaela Cardoso, 17, é estudante da rede particular em Manaus e cita algumas dificuldades para lidar com o ensino híbrido. “É meio inevitável que não seja maçante porque todo mundo ficou mais de um ano nessa rotina híbrida. E o pior é que algumas pessoas não conseguiram se adaptar. Isso é muito triste”, conta.
Segundo a secretária de Educação e Desporto, Kuca Chaves, a situação da epidemia no Amazonas permitiu a retomada das aulas presenciais. “Manaus passa por uma fase de controle, uma fase em que não podemos baixar a guarda em relação aos protocolos de saúde. Mas isso nos trouxe a possibilidade de retornarmos de forma integral. Saímos do ensino híbrido presencial”, disse.
Para Laura Cristina Andrade, vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Amazonas (Sinepe-AM), o ensino híbrido não é uma tendência por enquanto. “Diversas escolas já praticavam o ensino híbrido antes da pandemia. No entanto, não era na mesma estrutura e constância que hoje. Apesar de não termos uma análise regional mais profunda para dar como parâmetro, acreditamos que o ensino híbrido deve continuar sendo um aliado das escolas e não uma tendência. Com a experiência adquirida ao longo da pandemia, as instituições se sentem mais seguras para continuar atendendo seus alunos caso haja novamente a necessidade de interromper as aulas.”
Sindicato
De acordo com o Sinepe-AM, as escolas particulares estão com uma boa expectativa para o retorno das aulas de forma totalmente presencial. A adesão de uma série de medidas de segurança resultou devido à inexistência de foco de transmissão da Covid-19 nas escolas associadas ao Sinepe-AM. Isso trouxe segurança aos alunos, pais e professores. O órgão acredita que em 2022 o saldo será positivo quanto ao número de matrículas.
No início de fevereiro deste ano, o Sinepe-AM previu que, pelo menos, 35 mil trabalhadores do setor fossem demitidos por conta dos impactos da pandemia. Inadimplência em alta, cancelamento de matrículas e desconto obrigatório nas mensalidades foram apontados como fatores de risco para o setor. O cenário atual do setor foi alertado no mês de fevereiro deste ano, durante audiência na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).
O professor Artur Sidney, 21, contou que está tomando todas as medidas de prevenção e proteção orientadas pelos órgãos de saúde para a segurança dos alunos e profissionais. Ele trabalha num curso preparatório para vestibulares e diz ser importante seguir os protocolos e tentar engajar, ao máximo, os alunos dentro da sala de aula.
“Tivemos muitas dificuldades e prejuízos com a paralisação já que, com isso, veio um cenário de crise e incerteza muito grande. Agora, estamos retornando aos poucos com uma perspectiva otimista, visto que os alunos perderam muito conteúdo e estão correndo atrás para normalizar essa situação”, relata o professor.