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A Crítica
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Fumaça muda rotina dos manauaras e leva moradores a usar máscaras neste sábado

Capital amanheceu encoberta pela fumaça; moradores relatam ardência nos olhos, preocupação com crianças e mudanças na rotina para evitar exposição

Publicado em 17/10/2026 às 12h15
Fumaça muda rotina dos manauaras e leva moradores a usar máscaras neste sábado
Com Manaus tendo a pior qualidade do ar no Mundo, população volta a usar máscaras Foto: Nilton Ricardo

Quem precisou sair de casa na manhã deste sábado (17), em Manaus, encontrou uma cidade encoberta pela fumaça. Em diferentes pontos da capital, moradores voltaram a usar máscaras para conseguir cumprir tarefas simples do dia a dia e tentar reduzir a exposição ao ar contaminado.

A cena chamou atenção pela semelhança com o período da pandemia. Desta vez, porém, o motivo é a intensa concentração de fumaça provocada pelas queimadas. Sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram níveis considerados péssimos em diferentes pontos da capital.

Aos 64 anos, Dulcinéia Souza precisou mudar a rotina logo pela manhã. Ela saiu de casa para ir à padaria, como faz todos os dias, mas voltou para buscar uma máscara depois de sentir os olhos arderem por causa da fumaça.

“Eu acordei bem cedinho e já tava esse fumaceiro todo. Eu precisava ir à padaria, como faço todas as manhãs, comprar o pão. Só que meus olhos já estavam ardendo muito. Aí eu voltei, peguei uma máscara e fui. A gente nunca imaginou que ia precisar colocar máscara de novo pra sair de casa”, relata a idosa.

Preocupação aumenta entre famílias

Para quem tem crianças com problemas respiratórios, a fumaça também trouxe preocupação e mudanças na rotina. Uma mãe, que preferiu não se identificar, conta que o filho tem rinite e sinusite e já estava sendo acompanhado antes mesmo da suspensão das aulas.

“Meu filho já estava em observação antes mesmo da suspensão das aulas, porque ele tem rinite e sinusite. Por duas vezes, o nariz dele sangrou, e a gente ficou ainda mais preocupado. Agora ele está usando máscara e estamos evitando sair de casa. Estamos realmente em observação por causa dessa fumaça, porque a gente não sabe até que ponto isso pode afetar a saúde dele”, conta a mãe.

Criança precisou ser internada

Ao longo desta semana, a jornalista Taísa Passos, de 34 anos, viveu uma situação ainda mais delicada com o filho, Dom Benício, de 6 anos.

O menino já tinha histórico de problemas respiratórios e, inicialmente, a família acreditou que a tosse fosse apenas mais um quadro comum. Mas, ao longo do dia, o estado dele piorou.

“Na segunda-feira ele estava tossindo muito. Até então a gente achava que era uma tosse comum, porque ele tem muitos problemas respiratórios e sempre está muito gripado. Aí, quando foi no final do dia, ele estava muito cansado e começou a ficar mais abatido, não queria se alimentar. E aí a respiração dele estava muito funda, na barriga, e no pescoço também. Aí eu comecei a achar: não, ele já está forçando muito para respirar. Vou levar ele no pronto-socorro da criança”, conta.

No atendimento, a médica identificou sintomas de uma crise asmática. Segundo Taísa, o filho não tinha diagnóstico de asma. A médica também perguntou se ele havia tido contato com a fumaça.

“Quando eu cheguei lá no pronto-socorro da criança, a médica disse que ele estava tendo uma crise asmática. Ela perguntou se ele tinha asma, eu falei que não. E ela falou que aquilo dali eram os sintomas todos de uma crise asmática. E aí ela perguntou se ele estava tendo contato com a fumaça, por conta do estado de alerta da cidade.”

Mesmo sem ter passado muito tempo na rua, a criança estava exposta à fumaça dentro de casa.

“Eu falei que não, mas que em casa a fumaça estava entrando muito através do ar-condicionado, através das janelas, que não são totalmente vedadas. E ela me disse e me relatou que pode ter sido por isso, porque a fumaça atinge muito as pessoas que têm mais problemas respiratórios”, relata.

Dom Benício precisou ficar dois dias internado e, segundo Taísa, outras crianças estavam no hospital com problemas semelhantes.

“Ele ficou internado dois dias e tinha muitas outras crianças no hospital com o mesmo problema devido à fumaça. Aí ele passou dois dias no hospital fazendo tratamento e agora está fazendo tratamento em casa”, disse.

Manaus registrou na manhã deste sábado pior qualidade do ar no mundo Foto: Nilton Ricardo

Fumaça exige cuidados

O episódio deste sábado reforça a preocupação com os efeitos da má qualidade do ar sobre a população, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

A recomendação é reduzir o tempo de exposição à fumaça e evitar atividades físicas ao ar livre. Quando for necessário sair de casa, a orientação é utilizar máscaras com maior capacidade de filtragem, como PFF2 ou N95.

Em Manaus, medidas preventivas foram adotadas diante da persistência da fumaça, incluindo a suspensão de atividades ao ar livre e em locais de aglomeração.

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