Gerente do CPRM afirma que cheia do Rio Solimões já começou em Tabatinga
O município faz fronteira com cidades peruanas que apresentam os primeiros sinais da subida do rio
O Gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), André Santos, afirmou nesta quinta-feira (19) que os primeiros sinais da cheia do Rio Solimões já iniciaram em cidades peruanas que fazem fronteira com o Estado. Santos falou sobre o tema na reunião do Fórum Permanente das Secretarias Municipais do Meio Ambiente do Amazonas (Fopes), realizada no Auditório da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O especialista fez referência à nascente do rio, localizada no Peru, em uma região montanhosa da América do Sul chamada Cordilheira dos Andes. Dizendo ter uma “notícia boa”, ele afirmou que o rio também já começou a subir na cidade amazonense de Tabatinga.
O dado é confirmado, diz ele, tanto a partir do monitoramento da climatologia na região quanto da análise do que está ocorrendo no Peru, onde há 10 dias o rio já está subindo.
“A gente já pode dizer, com um índice de acerto muito bom, que Tabatinga já iniciou o processo de enchente. (…) Não é um repiquete porque já teve um repiquete. Hoje, por exemplo, o rio subiu 24 centímetros em Tabatinga”, disse.
O gerente do CPRM disse também que a instituição pretende, durante o período de emergência, elaborar dois boletins por semana a respeito do movimento de cheia.
Demandas
A secretária de meio ambiente de Anamã, Mônica Valesca, apresentou um dos pedidos emergenciais do município à vice-governadoria “Entregamos um ofício para solicitar um carro-pipa para atender as necessidades da cidade, que vive uma realidade ímpar. Nós passamos seis meses na cheia e seis meses na seca. As casas nesses períodos trocam de fundo para se adaptar aos fenômenos naturais. Após a cheia, o fundo dessas casas é descartado embaixo da palafita e com isso, o risco de pegar fogo na cidade toda é imenso. Não temos carro-pipa, Equipamento de Proteção Individual (EPI), Corpo de Bombeiros ou hidrantes para combater os incêndios”, explicou.
A presidente do Fopes, Jane Crespo, reuniu os representantes das pastas municipais ambientais para receber os planos de contingências e intermediar soluções entre os entes estaduais e federais. “Temos muitas demandas mas vamos fazer tudo que for possível para atender essas necessidades para que a gente possa construir esse processo. Estamos acompanhando esse fenômenos climáticos atípicos e trocando informações e soluções entre nós”, detalhou.
O representante do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Daniel Nava, ressaltou a importância da água em um Estado regido pelas águas.“Nesse sentido, existe um esforço para se combater os focos de incêndios, assim como a necessidade de nós mantermos um reconhecimento da gravidade da emergência e das ações de enfrentamento à estiagem. A partir da declaração de escassez crítica do rio Madeira foi tomada toda uma ação de contingência, que envolve o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com dragagem do rio, além de outras medidas que envolvem o Marco Regulatório do Novo Saneamento Básicos, como atualização de informações municipais sobre a escavação de poços artesianos, que são de extrema importância para abastecimento da população mediante emergência como a estiagem. Que as secretarias possam viabilizar o envio das informações técnicas das perfurações para o Ipaam, para que assim que sairmos da situação de emergência, a gente possa mapear as coordenadas dos poços e desenvolver políticas para manutenção desses lençóis aquíferos”, ponderou.
Ajuda
De acordo com o secretário do meio ambiente de Lábrea, Daniel Santiago, está entre as principais necessidades de recursos para o município, a liberação do Fundo Amazônia para fortalecimento institucional. “A verba serviria para implantação da sala de monitoramento, investimento e estrutura física, bem como a capacitação de agentes ambientais, melhoria nos controles de licenciamento e investimento em agricultura agroflorestal”, afirmou.
No entanto, as previsões não são nada animadoras apesar de toda a articulação. “Estamos em contato com o comitê gestor da Secretaria Extraordinária de Controle do Desmatamento, gestão territorial e clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Mas tudo isso é a longo prazo, para 2024 e 2025. Infelizmente não haverá nada a ser aplicado a curto prazo. Esse é um dos maiores desafios, aplicar o planejamento, enquadrar todos os projetos e fazer a gestão deste períodos de dois anos”, finalizou.
Estavam presentes na reunião do Fórum Permanente das Secretarias Municipais do Meio Ambiente do Amazonas (Fopes), os representantes de Tapauá, Canutama, Careiro Castanho, Nhamundá, Novo Airão, Humaitá, Jutaí, Fonte Boa, Anamã, Careiro da Várzea, Presidente Figueiredo, Manicoré, Codajás, Santa Isabel do Rio Negro e Rio Preto da Eva.
Na Fopes, estavam presentes também representantes da Vice-governadoria do Amazonas, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e da Defesa Civil do Amazonas.
O encontro da Fopes continua ainda nesta sexta-feira, (20), a reunião do colegiado com autoridades estaduais e federais para discutir soluções em meio à crise climática no Amazonas. A reunião, segundo os secretários, é o momento de solicitar mais suporte dos governos.
Este texto foi atualizado para correção do nome do gerente do CPRM, André Santos, e trechos da aspa (fala) dele na reunião.