Gravações apontam participação de Bolsonaro em esquema de ‘rachadinhas’
Áudios foram divulgados nesta segunda-feira pelo portal UOL
Gravações inéditas divulgadas pelo portal UOL nesta segunda-feira (5), apontam indícios que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) esteja envolvido com esquema das “rachadinhas” investigado pelo Ministério Público do Estado Rio de Janeiro (MP-RJ).
Em um dos áudios revelados pela coluna do portal, a ex-cunhada de Bolsonaro, Andrea Siqueira Valle, afirma que o presidente mandou demitir André Valle, assessor de Bolsonaro entre 2006 e 2007. No áudio
“O André dava muito problema porque o André nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6 mil, o André devolvia R$ 2 mil, R$ 3 mil. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo'”, contou Andrea.
A ex-cunhada acrescenta que sua irmã, a ex-esposa de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, também pode estar envolvida. Além de informar que seu tio, o coronel da reserva do Exército, Guilherme Hudson, recolhia o dinheiro dos salários.
“Não é pouca coisa que eu sei, não. É muita coisa que posso ferra a vida do Flávio, posso ferrar a vida do Jair, posso ferrar a vida Cristina. Entendeu? É por isso que eles tem medo aí e mandam eu ficar quietinha, não sei o que, tal. Entendeu? É esse negócio aí. O tio Hudson também já até tirou o corpo fora porque quem pegava bolada era ele. Quem me levava e buscava no banco era ele”, acrescentou.
No áudio, Andrea admite que devolvia quase todo o salário quando foi funcionária fantasma de Flávio Bolsonaro.
“Na hora que eu estava aí fornecendo também e ele também estava me ajudando, lógico, e eu também ‘tava’ porque eu ficava com mil e pouco e ele ficava com sete mil reais, então assim, certo ou errado agora já foi, não tem jeito de voltar atrás”, confessou Andrea.
Outros áudios
A reportagem do UOL traz outros áudios inéditos que ressaltam a possível participação direta do presidente no esquema de “rachadinha”. O segundo é referente a esposa de Fabrício Queiroz, Márcia Aguiar, no qual confirma que o “01” citado nos diálogos entre ela e a família é o presidente Jair Bolsonaro e, não Flávio, como é citado frequentemente por ser o filho mais velho do presidente.
“É que ainda não caiu a ficha dele [Fabrício Queiroz] que agora voltar para a política, voltar para o que ele fazia tão cedo… esquece. Bota ano para ele voltar. Até porque o 01, o Jair não vai deixar. Tá entendendo? Não pelo Flávio, mas enfim. Ele ainda não caiu essa ficha dele. Fazer o quê?”, conta Márcia.
Já o terceiro áudio é do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, em que cita o advogado da família, Frederick Wassef.
“E todas as pessoas que eu falo, eu sempre falo: meu irmão, apaga! Escreveu, apaga! Eu sei com quem eu conversei esse assunto aí. ‘Chateadão’ também por causa disso. Tu lembra que eu falo: apaga, apaga, apaga, apaga…? Aí deu nisso aí. O “Anjo” também a primeira coisa que o “Anjo” chegou pra mim e falou na minha cara foi: você foi traído, você traído ontem à noite!”, relatou o ex-assessor de Flávio.
A reportagem da UOL não conseguiu contato com Andrea e os advogados de Flávio Bolsonaro negaram as acusações. Frederick Wassef afirmou se tratar de fatos inverídicos e que a “gravação é clandestina e não compatível com democracias saudáveis”.
Estas são as primeiras gravações que apontam a participação direta do presidente Jair Bolsonaro no esquema de “rachadinhas” investigado pelo MPRJ.
Protestos
O último sábado (3) foi marcado por protestos em todo o país, incluindo no Amazonas, pedindo o avanço da vacinação contra Covid-19, o aumento do auxílio emergencial e o impeachment de Bolsonaro, com distribuição de máscaras e álcool em gel.
Este foi o terceiro protesto em 35 dias que foi antecipado após o deputado Luis Claudio Miranda (Democratas-DF) e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, terem dito que relataram ao presidente suspeitas de corrupção na compra da Covaxin, a vacina mais cara adquirida até o momento pelo Ministério da Saúde.