Honda produz 100% dos carros com energia elétrica renovável
O parque eólico de Xangri-Lá é um modelo sustentável para as produções industriais
A Honda Energy, parque eólico da Honda em Xangri-Lá, no Rio Grande do Sul, celebra 11 anos de atividade nesta quarta-feira (26), com o marco de ter evitado que 52 mil toneladas de CO2 fossem emitidas ao longo de sua operação. O modelo permite que 100% dos carros produzidos pela Honda utilizem energia elétrica limpa e renovável.
O parque foi inaugurado em 2014. Atualmente, tem 9 aerogeradores produzindo energia limpa e renovável para atender à planta de Sumaré (SP) e ao escritório no Morumbi.
Em outubro de 2020, a 10ª unidade geradora entrou em operação, aumentando a capacidade instalada de 27,7 MW para 31,1 MW, o suficiente para suprir a demanda da fábrica de Itirapina.
O representante da Honda Energy, Ricardo Dalbosco, informou que o modelo foi planejado para ser efetivo na redução de CO2.
“Foi colocado pelo presidente da Honda Global a meta de reduzir em 30% as emissões de carbono do grupo. O que precisa ser efetivo e não só colocado como algo sustentável”, disse.
Ele explicou que, apesar do tamanho, o parque só suporta a demanda da fábrica de carros.
“Esse modelo foi feito para atender à planta de automóveis. A planta de automóveis e a de motocicletas (no Polo Industrial de Manaus) são muito diferentes no tipo de peças que produzem diariamente e, em Manaus, a produção de motocicletas é uma cidade (de tão grande). Essa planta consome muita energia, precisaria de três ou quatro vezes mais do que temos aqui para produzir energia livre”, afirmou.
O presidente da Honda Energy, Mauricio Imoto, ressaltou que, nesses 11 anos de operação, são 1,1 milhão de carros produzidos com energia limpa.
“É 1,1 milhão de carros produzidos com energia daqui. O que nós produzimos de energia aqui dá para abastecer o equivalente a 34 mil casas. Imagina que tudo o que 34 mil famílias consomem no ano inteiro é o que a gente consegue gerar”.
Segundo Imoto, a energia solar também foi estudada como uma possibilidade, mas por fatores estratégicos a eólica foi mais viável.
“A energia solar é uma boa opção, mas ela não gera durante a noite. No nosso caso, como é linha de produção, a eólica supre melhor.”
Questionado se há projetos da Honda Energy para produzir motocicletas no Polo Industrial de Manaus com energia renovável, o presidente afirmou que as construções dependem de projetos que podem variar de uma fábrica para outra, mas que a Honda está empenhada em adaptar o máximo de operações dentro dos critérios sustentáveis.
“Essa parte sobre Manaus é decidida por quem está à frente da fábrica. Mas o que posso dizer é que existe é que a Honda como um todo está empenhada em reduzir a emissão de CO2. Neutralidade de carbono já está sendo trabalhada. O que sei é que Manaus está bem avançado na parte de descarbonização.”
Próximos passos
O presidente destacou que, apesar dos bons indicativos, a fábrica de automóveis continua empenhada em descarbonizar toda a cadeia produtiva.
“A fábrica fez várias reduções, como diminuir diesel, mudar a matriz energética, melhorar a utilização de gás natural nas estufas, e a gente está até trabalhando já no futuro de utilizar o gás. Eu acredito que a gente já está em torno de 60% da redução de carbono. Agora, descarbonização é um trabalho que envolve também o produto, o carro, isso também está sendo trabalhado”, informou.
Lucrar de forma sustentável
Mauricio Imoto ressaltou que a Honda Energy surge nas discussões de transição energética e sustentabilidade como um exemplo: sustentabilidade pode ser rentável.
“Essa parte de conseguir mostrar que o mundo mudou e a gente já estava aqui antes, e hoje faz parte disso: 11 anos de operação e está aqui. Nós temos o parque eólico como ação sustentável, e é sempre bom mostrar para o mundo que não é só a redução de carbono, a previsibilidade de energia, mas também que é viável dar certo”, disse o presidente.
Além disso, Imoto explicou que o parque eólico recebe visitação de estudantes e apresenta o modelo de forma mais dinâmica para que eles entendam a construção do futuro com energia limpa.
“A gente recebe muitas pessoas, muitos alunos, e fazemos isso aqui e também vamos às escolas. Claro que para eles é de uma forma mais lúdica, e conscientizando também.”