Indígenas Sateré-Mawé recebem doação de mil cestas básicas em Barreirinha
Ação ocorreu após tentativa da Divisão de Atenção à Saúde Indígena de Parintis, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, impedir a distribuição dos alimentos, nesta terça-feira (2)
Moradores da aldeia Andirá-Marau, com área situada em Barreirinha (a 330 quilômetros de Manaus) receberam, na tarde dessa terça-feira (2), mil cestas básicas fornecidas pela Fundação Estadual do Índio (FEI) e prefeitura do município para auxiliar a comunidade no enfrentamento à pandemia de Covid-19.
A ação ocorreu após tentativa da Divisão de Atenção à Saúde Indígena (Diasi) de Parintis, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, impedir a distribuição dos alimentos.
Em notificação enviada aos participantes ontem, a Diasi alegou ausência de um plano de ação que orientasse o fornecimento das cestas e atendesse às normas de segurança estabelecidas pelas autoridades sanitárias, em especial o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Parintins, ligado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do governo federal. O órgão centraliza a coordenação de medidas de combate à Covid-19 em áreas indígenas.
O documento aponta que membros da equipe e da tripulação do barco, que saiu ontem de Barreirinha rumo ao território Sateré-Mawé, testaram positivo para Covid-19 em exame realizado na segunda-feira (1).
De acordo com o prefeito de Barreirinha, Glenio Seixas, os integrantes foram substituídos, e distribuição realizada pela Secretaria de Assistência Social com acompanhamento de uma equipe da vigilância sanitária do município, que executou os procedimentos de segurança.
“Em que pese a notificação, o barco já estava em viagem”, argumentou o advogado Tito Menezes, que presta assessoria para as lideranças Sateré-Mawé. “É absurdo que, em plena pandemia, uma ajuda humanitária seja objeto dessa tentativa de sabotar a distribuição donativos”.
Menezes avalia que, devido a repercussão negativa do ofício, funcionários do Dsei/Parintins abandonaram a barreira sanitária Andirá-Marau, no Rio Andirá, no final da tarde de ontem. Uma equipe do governo federal também deve deixar o bloqueio sanitário do Rio Marau, no município de Maués, extremo leste do Amazonas.
Até o fechamento desta edição, nenhum comunicado oficial sobre a decisão foi publicado. “O município tomará suas providências cabíveis contra o órgão e colocar estrutura na barreira para ajudar nossos irmãos Sateré-Mawé”, declarou Seixas.