Inpa: gestor propõe abrir laboratórios a empresas
Ainda em discussão, ideia seria oferecer serviços de pesquisa por meio de laboratórios do Inpa em troca de pagamentos
Nomeado novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o professor Henrique Pereira quer recuperar o orçamento do órgão com fontes que vão além dos repasses feitos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pasta ao qual o Inpa é ligado. Algumas apostas são o avanço de parcerias com a iniciativa público-privada, a busca por fundos de financiamento, como o Fundo Amazônia, e a abertura de parte dos atuais laboratórios para prestação de serviço a empresas.
“A questão orçamentária é um esforço conjunto do governo federal, depende da organização da nossa política econômica e fiscal. Uma aposta é que, com a melhora da arrecadação, se passe a aumentar os valores transferidos para os ministérios. Porém, o Inpa também tem um potencial muito grande de captar recursos de outras fontes”, afirmou Henrique para A CRÍTICA, que agora aguarda apenas a cerimônia de posse para começar a despachar no órgão.
Ele avalia que essas parcerias podem não substituir a necessidade de repasses federais, mas complementar os recursos disponíveis. “Há muitas organizações privadas que têm interesse em vincular sua atuação com a área da pesquisa científica, com resultados práticos, como a questão do reflorestamento de áreas degradadas, algo que o Inpa tem experiência. Também temos como colaborar com estudos sobre impactos ambientais, especialmente sobre fauna e flora”, disse.
Nesse ponto, o professor ressalta que está em discussão no Inpa a possibilidade de ‘abrir’ os laboratórios para serviços que possam ser prestados junto a empresas, com pagamentos que poderiam complementar os recursos do órgão.
“É, basicamente, parceria entre empresas e laboratórios, com pagamentos. Hoje é um pouco mais difícil, mas o novo Marco da Inovação brasileira já permite isso, como já ocorre em outros países. Isso não vai ser um recurso importante, significativo [no orçamento do Inpa], mas vai ser um recurso essencial para aproximar o setor empresarial das organizações de C&T. Então, uma indústria poderá demandar serviços, por exemplo, de análises químicas e de aferição de padrões”, afirmou.
Mais recursos
Nesta semana, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), principal entidade civil do setor, criticou o fato de o orçamento proposto pelo governo para o MCTI, em 2024, ser 6,74% menor que o deste ano. Em carta enviada ao relator do Projeto de Lei Orçamentária 2024 (PLOA), deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP), a SBPC pediu alteração na previsão para o ano que vem.
Por outro lado, no PLOA do próximo ano, o Inpa recebeu um incremento de R$ 6,8 milhões para o seu orçamento, saindo de R$ 34,9 milhões neste ano para R$ 41,8 milhões em 2024. O aumento de 19,5% é considerado crucial para a retomada e fortalecimento de atividades do instituto. Para Henrique, além desses repasses, o órgão precisa avançar com outras formas de financiamento.
“O Inpa tem captado recursos de parcerias internacionais, de grandes projetos, claro, com a contrapartida brasileira. Sobre o Fundo Amazônia, ainda não teve até aqui um projeto [do Inpa] aprovado no fundo, mas é um bom momento para se pensar, porque o fundo está sendo reativado. Esteve paralisado para novos projetos. É uma boa oportunidade, temos condições, mas o Inpa precisa focar naquilo que é o seu metiê, sua característica, e isso ainda envolve negociarmos com o Fundo o que é de interesse deles na participação de uma instituição como o Inpa”, explicou o novo gestor.