Instituto Tornavoz recebe o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa de 2022
14ª edição da premiação, realizada em São Paulo, presta homenagem ao trabalho da entidade na expansão da defesa da liberdade de imprensa em um ambiente de crescentes ameaças ao jornalismo
A advogada Taís Gasparian e o Instituto Tornavoz, do qual ela é diretora e uma das fundadoras, receberam nesta quinta-feira (1º) o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa de 2022, da Associação Nacional de Jornais (ANJ). A 14ª edição da premiação, entregue em cerimônia realizada na ESPM Tech, em São Paulo, presta homenagem ao trabalho da profissional e da entidade na expansão da defesa da liberdade de imprensa em um ambiente de crescentes ameaças e dificuldades ao jornalismo.
“Quando nossos antecessores criaram este prêmio, lá em 2008, eles tinham a clara dimensão de que a liberdade de imprensa não é um direito da imprensa, mas sobretudo de a sociedade ser informada e se informar livremente, sem restrições”, disse o presidente da ANJ, o jornalista Marcelo Rech. “O que eles talvez não tivessem imaginado é que, quatorze ano depois, estivéssemos ainda em um estágio em que nos vemos obrigados a enfrentar antigas ameaças, como censura e agressões a jornalistas e veículos; a novas, como as campanhas de assédio virtual e de ataque sistemático ao jornalismo profissional”, continuou. “Infelizmente, portanto, lamento admitir que este prêmio é mais importante do que nunca”.
Francisco Mesquita Neto, diretor-presidente do Grupo Estado e vice-presidente da ANJ, responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão da associação, destacou que a liberdade de imprensa não é um benefício aos veículos jornalísticos, mas uma maneira de fazer com que os cidadãos tenham garantido o seu direito de serem bem informados. Segundo ele, há em curso, entretanto, um processo de desqualificação dos meios de comunicação e dos profissionais de imprensa, em uma estratégia para minar a confiança da sociedade na atividade jornalística. Além disso, prosseguiu Mesquita Neto, “assistimos no país a um crescimento preocupante da agressividade e da violência contra jornalistas, nas redes sociais e nas ruas”.
O vice-presidente da ANJ disse que, nesse cenário conturbado, jornalistas e veículos de imprensa também enfrentam um crescente assédio judicial, situação na qual veículos de comunicação locais e de mídia digital, infelizmente, são os mais vulneráveis. “É aí que entra o trabalho do Instituto Tornavoz, que se propõe a garantir defesa jurídica especializada àqueles que sofrem processos judiciais em razão do exercício da manifestação do pensamento e da expressão, e que tenham dificuldade para contratar e remunerar uma defesa especializada”.
Taís Gasparian, especialista na área do direito civil relacionado à mídia, à publicidade e à internet, afirmou que o Brasil enfrenta um período bastante preocupante em relação à liberdade de expressão e de imprensa. “Assistimos ao silenciamento como estratégia de combate político, estratégia essa mobilizada por diversas pessoas e grupos situados em diversas posições do espectro político”, disse.
De acordo com Taís, a fragilidade do setor já é visível aos associados da ANJ, que batalham diariamente para atingir seus objetivos, “imaginem a situação de comunicadores e veículos digitais de cidades longínquas, pequenas, onde imperam o coronelismo” e a impunidade. “A instrumentalização do Poder Judiciário por políticos, empresários, pessoas públicas e por ‘autoridades’ tornou-se corriqueira. Os chamados crimes contra a honra e as ações de indenização passaram a servir de meio constrangimento. Uma defesa especializada, que dê segurança aos atacados é essencial para proteger o setor e para sinalizar que essa estratégia de silenciamento não vai vingar”, afirmou.