Inteligência emocional para não entrar em pânico no ‘novo normal’
Cuidar da saúde mental é necessário para não entrar em pânico na volta às atividades de rotina
A mente é uma poderosa arma para motivação profissional. Mas, após um longo período de isolamento, voltar às atividades que antes pareciam comuns, agora pode ser fonte de preocupação para muitos trabalhadores, com a assessora parlamentar, Maria Karolayne. Durante a pandemia, ela, além de adquirir uma nova rotina de trabalho em casa, também desenvolveu novos hábitos de limpeza e higiene.
Agora com o retorno as atividades laborais, lavar as mãos, usar máscara, álcool em gel com regularidade, bem como, evitar usar as mãos para abrir portas, por exemplo, viraram costume na vida da jovem. A maior preocupação para ela é se as outras pessoas estão tomando as mesmas precauções e cuidados para evitar a propagação do vírus.
“Não sei se elas tiveram a doença e o meu medo é ela não estejam tão preocupadas como eu estou e acabem de alguma forma não cumprindo esses hábitos que nos mantém mais seguros”, enfatiza Karolayne.
Sem pânico
Contudo, desenvolver a inteligência emocional é mais do que nunca necessário para não entrar em pânico na volta ao ‘novo normal’. Para o psicólogo organizacional Antônio Novaes, esse conceito não pode ser atribuído meramente ao controle das emoções, mas sim ao gerenciamento das ações que são produzidas automaticamente pelo corpo e mente.
Um exemplo que, de acordo com o psicólogo, será observado após a pandemia é que pessoas tendem a construir novas memórias emocionais devido ao isolamento. E, para amenizar os efeitos psicológicos desse retorno, é importante refletir e si autoconhecer, compreendendo quais os “gatilhos” que desencadeiam situações de pânico e ansiedade.
“A primeira coisa é você sentar e refletir: o que você pode fazer nesse momento? Ah, porque lá no futuro a Covid-19 pode… não, pêra! Respira fundo e pensa o que você pode fazer agora e não no futuro?”, ressalta.
Para conter os prejuízos a saúde mental, Antônio recomenda aos trabalhadores a organização das atividades laborais diárias para garantir o foco e um autogerenciamento que ajudam a evitar pensamentos ansiosos. Além disso, a adaptação é imprescindível, mas caso os problemas se tornem recorrentes é essencial buscar ajuda profissional.
A diretora-executiva da Singulari Consultoria, Luciana Nogueira, lembra que o momento da crise sanitária causada pela Covid-19 é único vivido por toda a humanidade. Segundo ela, isso pode acarretar estresse para muitos profissionais que podem ter adoecido emocionalmente nos últimos meses, alguns a ponto de impactar diretamente o trabalho e a produtividade.
“O papel do líder é um papel sempre importante, mas em momentos de crise esse papel se torna exponencialmente e mais importante. Isso porque em períodos de crise as pessoas estão assustadas, ansiosas e com medo e desejando confiar em quem está no comando. Nesse sentido, o líder precisa ter elevado grau de inteligência emocional para lidar com o cenário caótico e ainda dar suporte Emocional ao time. Quanto mais equilibrado e emocionalmente inteligente, melhor vai conseguir modelar o comportamento saudável na organização”, afirma Luciana.
Para a executiva de RH, as empresas não podem ignorar o cenário atual da pandemia e precisam “olhar para o colaborador e entender que sem saúde (física/mental) ele não vai conseguir contribuir para a organização”.