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A Crítica
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Isenção do Imposto de Renda impacta renda de famílias em Manaus

Mudança beneficia quem ganha até R$ 5 mil e amplia consumo; mais de 851 mil são alcançados no Norte

Publicado em 06/04/2026 às 12h11
Isenção do Imposto de Renda impacta renda de famílias em Manaus
Foto: Divulgação

A assistente executiva Isabel Godinho Vieira, de 31 anos, já começou a reorganizar o orçamento familiar após a entrada em vigor das novas regras do Imposto de Renda. Moradora do bairro Tancredo Neves, na Zona Leste de Manaus, ela está entre os contribuintes beneficiados pela isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais, medida que passou a valer com impacto nos rendimentos pagos desde fevereiro deste ano.

O caso ilustra, em escala individual, o efeito prático de uma mudança com alcance regional relevante. Na Região Norte, mais de 851 mil trabalhadores serão diretamente impactados pelas novas regras do Imposto de Renda. Desse total, cerca de 536 mil passam à condição de isentos, enquanto outros 315 mil, com renda entre R$ 5 mil e R$ 7.350, passam a ter descontos progressivos.

Dividindo a casa com a mãe, a irmã e duas sobrinhas, Isabel afirma que o alívio tributário já tem destino definido: consumo básico e a realização de um projeto pessoal da família. “Ela nunca viu o mar. Então quero levá-la para ver o mar. E vou poder comprar mais produtos no supermercado, especialmente frutas que costumam ser bem caras aqui em Manaus”, relatou.

A alteração foi estabelecida por lei sancionada em novembro de 2025 e representa uma ampliação significativa da faixa de isenção. Até o ano passado, aproximadamente 833 mil contribuintes da Região Norte já não pagavam o tributo. Com a nova regra, esse contingente deve ultrapassar 1,3 milhão de pessoas completamente isentas.

Do ponto de vista macroeconômico, a medida tende a gerar aumento da renda disponível e, consequentemente, estimular o consumo – especialmente em setores ligados a bens essenciais e serviços. No contexto de Manaus, onde o custo de itens básicos, como alimentos perecíveis, costuma ser mais elevado em função de fatores logísticos, o impacto pode ser ainda mais perceptível no curto prazo.

Para compensar a perda de arrecadação, a legislação introduziu mecanismos de ajuste sobre altas rendas. Contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil passarão a ser tributados de forma gradual, com alíquota máxima de até 10%. A estimativa é de que cerca de 3,5 mil pessoas sejam alcançadas por essa nova cobrança.

Além disso, a norma estabelece limites para evitar que a carga tributária combinada — entre pessoa física e jurídica — ultrapasse percentuais definidos para diferentes tipos de empresas. Caso esse teto seja excedido, haverá restituição na declaração anual.

Na prática, a reformulação da tabela do Imposto de Renda reposiciona a incidência tributária, reduzindo o peso sobre as faixas de menor renda e redistribuindo parte da carga para os estratos superiores, com efeitos diretos tanto no orçamento das famílias quanto na dinâmica econômica regional.

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