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Josué e Adjuto querem condecorar Pazuello por ‘serviços prestados à Amazônia’

Eduardo Pazuello chefia a área da saúde do governo Bolsonaro desde meados de maio em substituição aos ministros Luiz Henrique Mandetta e Eduardo Teich, que abandonaram o ministério

Publicado em 24/08/2020 às 18h35 · Atualizado em 09/03/2022 às 23h46
Josué e Adjuto querem condecorar Pazuello por ‘serviços prestados à Amazônia’
Foto: Divulgação

Os deputados estaduais Adjuto Afonso (PDT) e Josué Neto (PRTB) querem dar as mais altas condecorações da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), ao general e ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, pelos “serviços prestados à Amazônia”. Pazuello completa 100 dias no Ministério da Saúde, de forma interina.

Consta em uma matéria do site do Exército Brasileiro, que Eduardo Pazuello, já possui o título de Cidadão do Estado do Amazonas, entre outras premiações da Polícia Militar do Estado.

Pazuello chefia a área da saúde do governo Bolsonaro desde meados de maio em substituição aos ministros Luiz Henrique Mandetta e Eduardo Teich, que abandonaram o ministério após pressões de Bolsonaro para que eles assinassem um protocolo que sugere a cloroquina até para pacientes com sintomas leves de COVID-19.

À frente do Ministério da Saúde, o general Pazuello cumpriu, como militar, ordens plêmicas de Jair Bolsonaro, entre elas: tirou do ar dados consolidados sobre a pandemia do site do Ministério da Saúde para que jornais não pudessem repercutir os altos números de mortos e infectados, desintegrou o corpo técnico do Ministério da Saúde nomeando militares sem qualificação, além de assinar uma nota técnica que faculta o uso da cloroquina em todos os casos do novo coronavírus.

Pazuello também desprezou recomendação do Ministério da Saúde para não comprar mais cloroquina. Comitê técnico da pasta fez alertas sobre a compra de cloroquina e outro sobre a falta do “kit intubação”, como sedativos e analgésicos, estavam com os estoques críticos na maioria dos estados. Ambos foram ignorados pelo ministro interino.

As proposituras dos dois deputados foram criadas ainda em fevereiro, um mês antes do primeiro caso de covid-19 no Brasil, registrado em março. Adjuto Afonso apresentou o projeto de lei n° 26/2020 que pretende conceder o título de Cidadão do Amazonas ao general de divisão. Na redação do projeto, o deputado vangloria o currículo do oficial fluminense e ressalta a carreira militar do general, lembrando a conquista do prêmio Direitos Humanos 2018, por Pazuello, em função das ações de acolhimento e proteção de venezuelanos durante a operação Acolhida, em Roraima.

O presidente da ALE-AM, deputado Josué Neto, apresentou o projeto de resolução legislativa n° 05/2020 para conceder a medalha Ruy Araújo ao interino. O deputado desponta o currículo de Pazuello na justificativa da propositura, frisando as qualificações de origem militar do general. Neto pediu o apoio dos colegas deputados para aprovação da outorga da medalha.

A última movimentação das proposituras foi na última terça-feira (18), quando os projetos receberam o sinal verde para prosseguirem para a Comissão de Constituição e Justiça da ALE. A concessão de medalhas e títulos é uma tradição na Assembleia, geralmente ocorrem quando um general assume o Comando Militar da Amazônia (CMA) ou o comando da 12ª Região Militar, localizado em Manaus. As propostas de condecorações foram editadas por ocasião da transferência de comando da 12° Região Militar ao general Eduardo Pazuello, que ocorreu em janeiro.

Eduardo Pazuello

Pazuello é o nono ministro de origem militar no governo Bolsonaro, pessoas com origem na caserna já ocupam agora quase metade dos 22 postos do primeiro escalão do governo.

Diferentemente de outros integrantes militares da equipe de Bolsonaro, porém, Pazuello é um militar da ativa. Antes de ir para Brasília, o general de três estrelas comandava a 12ª Região Militar da Amazônia.

O general segue no comando da pasta porque partidos do chamado centrão, grupo de partidos políticos de centro e direita, que possui mais 200 deputados na Câmara dos Deputados, e que se aproximou de Bolsonaro nos últimos meses, assumindo cargos no governo, vê como arriscado indicar um nome neste momento que a pandemia segue registrando altos números de infectados e mortos.

Respostas

O deputado Adjunto Afonso respondeu que a condecoração proposta tem a ver com o trabalho desenvolvido pelo general Pazuello “enquanto estava na 12° região militar”. Questionado se ainda sustentaria, a propositura, mesmo depois das tentativas do ministro de escolher números da COVID-19, ele preferiu destacar o trabalho de Pazuello no ministério da saúde.

“Fez obras e trabalhos entre cooperativas do setor primário, deu um impulso muito grande. Mas também acho que ele está fazendo um trabalho bom no ministério, veio em Manaus na época do hospital de campanha, mesmo sendo uma pessoa que não tem experiência na área de saúde, mas em questão de logística, várias vezes serviu o Amazonas”, defende Afonso.

Adjunto explicou que a proposição passa pelas comissões e depois é encaminhada para o plenário para ser votada. Ele disse que a medalha Ruy Araújo deverá ser concedida a Eduardo Pazuello “até o final do ano”.

A reportagem ainda aguarda a resposta do deputado Josué Neto que também pretende condecorar o general com a medalha Ruy Araújo.

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