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Jovens do Amazonas e Pará passam a compor programa Jovens Transformadores Ashoka

Os sete jovens, de 16 a 18 anos, foram selecionados a partir de eventos realizados em Manaus durante o início de dezembro

Publicado em 25/12/2021 às 12h15 · Atualizado em 08/03/2022 às 20h10
Jovens do Amazonas e Pará passam a compor programa Jovens Transformadores Ashoka

Sete jovens, entre 16 a 18 anos, dos estados do Amazonas e Pará, a partir de agora, compõem o programa Jovens Transformadores Ashoka, uma iniciativa da organização que atua no campo do empreendedorismo social em 92 países. A seleção final da 3ª edição brasileira do programa Jovens Transformadores Ashoka aconteceu em eventos realizados em Manaus durante o mês de dezembro.

A partir da seleção, eles fazem parte de um grupo internacional de jovens que lideram iniciativas de transformação social. De acordo com a líder da Estratégia de Juventude na Ashoka América Latina, Helena Singer, os sete jovens amazônidas estão engajados em iniciativas como na educação em suas mais diversas frentes que vão desde a ambiental até de estímulo a leitura com a criação de uma biblioteca comunitária.

“Eles trabalham com diferentes iniciativas, mas todos eles focados na perspectiva de empoderarem outros jovens para melhorarem o seu contexto”. Com a aprovação para integrarem a comunidade global de jovens transformadores Ashoka, eles passam a ter a missão de atuar como engajadores para transformação seja em escolas e comunidade localizadas em seus territórios.

“Os jovens são convidados a co-liderar um movimento por um mundo de pessoas que transformam e isso na prática, significa que eles passam a integrar diversas equipes. Equipes que trabalham com secretarias de educação, equipes que trabalham com a mídia, equipes que trabalham com editoras para a produção de didáticos ou que trabalham com articulação junto a sindicatos”, ressaltou Helena Singer.

“Nós temos diversas equipes atuando em diversos territórios pelo Brasil exatamente para possibilitar que essa forma de compreender a sua capacidade transformadora possa chegar a todos. Por tanto a gente precisa que escolas, famílias, comunidades façam isso e é por isso que a gente cria equipes de trabalho e a participação dos próprios jovens nessa equipe é fundamental. É para isso que nós fazemos as buscas e seleção de jovens transformadores Ashoka”, complementou ainda.

Os jovens amazonenses líderes são: Samuel Minev Benzecry, de 17 anos, natural de Manaus. Ele deu início ao Grupo de Estudos Themis ao perceber que os currículos das escolas da sua região não abordavam de forma satisfatória as histórias e cultura da Amazônia. Com isso, ele e seus amigos decidiram criar um grupo de estudos em que se reunissem semanalmente para discutir e aprender mais sobre esses temas. Os conteúdos estão publicados no Instagram do projeto e hoje, 50 jovens fazem parte do grupo ao todo.

Outra iniciativa de impacto no Amazonas está a de Gleice Tukano, 18 anos. Ela é indígena e natural de São Gabriel da Cachoeira. A amazonense dirige a iniciativa Juventude indígena. Com o passar dos anos, ela teve a certeza de que precisava fazer algo para colocar os jovens de sua região no centro do processo de tomada decisão. E então ingresso no grupo de jovens da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. Por sua atuação, foi eleita para liderar o Departamento de Juventude da Foirn.

Seu trabalho consiste em engajar jovens lideranças em cada uma das 23 diferentes comunidades indígenas de três municípios atendidas pela Foirn, para identificar e criar soluções coletivamente.

No Pará, foram selecionadas as iniciativas de Beatriz Lacerda Costa Grajaú, 17 anos, residente em Ananindeua; Clara Gentil, 17 anos, natural de Santarém; Gabriel Arthur Veras dos Santos, 16 anos, residente em Altamira; Livia Silva, 17 anos, residente em Capanema e Rian dos Santos Correa, 16 anos, natural de Cachoeira do Arari.

Mapeamento Juventudes e Justiça Climática

Em Manaus, também foi concluído um estudo intitulado: Mapeamento Juventudes e Justiça Climática. O estudo qualitativo tem o objetivo de identificar e apoiar jovens transformadores e empreendedores sociais, cujas inovações contribuem para moldar uma sociedade engajada com uma das mais graves crises de nosso tempo, as mudanças climáticas.

Nos últimos seis meses, realizamos 26 entrevistas em profundidade com lideranças de organizações da região, além de rodas de conversa com os Jovens Transformadores da Amazônia recém integrados à rede. A metodologia foi dividida em padrões como barreiras sistêmicas (constituem os componentes centrais de um problema complexo) e princípios direcionadores (estratégias utilizadas pelo jovens para a mudança).

Para se ter noção, entre as barreiras sistemáticas apontadas pelos jovens estão o distanciamento entre universidade, sociedade e juventude e a falta de abertura, em escolas, para saberes dos povos da Amazônia.

“A metodologia busca compreender quais são as principais barreiras que os jovens enfrentam para conseguir que seus projetos sejam levados adiante. Alguns dos achados importantes do mapeamento mostra o que afasta os jovens das grandes instituições que são as responsáveis por possibilitar que suas idéias sejam ouvidas por outros jovens ou mesmo a população”, explica Helena Singer.

Sobre o Ashoka Brasil

A rede de Jovens Transformadores Ashoka está atualmente distribuída em países como Brasil, Bangladesh, Estados Unidos, Índia e Indonésia e conta com mais de 100 jovens que mobilizam centenas de outras pessoas. Por meio de processos de aprendizagem colaborativa, a Ashoka os apoia no fortalecimento de habilidades fundamentais para promover transformações que sejam positivas para todos, como a prática da empatia, o trabalho em equipe, a liderança compartilhada e a iniciativa de empreender no campo social. Para conhecer os Jovens Transformadores Ashoka no Brasil, clique aqui https://www.ashoka.org/pt-br/jovens-transformadores-ashoka-2021 ).

No Brasil, a Ashoka reconheceu 24 Jovens Transformadores desde 2019, apoiando-os na expansão do impacto social de suas iniciativas em meio ambiente, inclusão social, educação, diversidade cultural, equidade de gênero e direitos humanos. Os sete novos jovens, que passam pela etapa final de seleção em Manaus, chegam para adensar a representação da Amazônia na rede Ashoka.

“Essa iniciativa é muito importante num momento em que a Amazônia se aproxima de um ponto crítico para a sustentação dos sistemas sociais, econômicos e naturais que dependem da floresta. E, isso requer um aumento exponencial na capacidade de gerenciar proativamente as decisões que precisam ser tomadas agora e as mudanças que advêm delas”, finalizou Rafael Murta, Diretor de Comunidade e Territórios Transformadores da Ashoka Brasil.

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