Luto na Aparecida: corpo de Hamilton Bandeira é velado em Manaus
No Salão Nobre do palácio, coroas de flores dividiam espaço com amigos, familiares, autoridades e admiradores do presidente.
O corpo do presidente da Escola de Samba Mocidade Independente (Gresmi) de Aparecida, Hamilton Bandeira, foi velado nesta sexta-feira (01), no Palácio Rio Negro, centro de Manaus. O sepultamento foi marcado para à tarde, no Cemitério São João Batista.
No Salão Nobre do palácio, coroas de flores dividiam espaço com amigos, familiares, autoridades e admiradores do presidente. Entre os soluços do choro e o silêncio do luto foi a melodia de uma flauta que preencheu com conforto o coração de todos. Ao som da toada “boi de Carmo”, do Garantido (que se fez presente) um coro se formou diante do caixão no refrão “é boi de Carmo de amor e de fé da baixa do São José”
O ex-presidente da Aparecida, Luiz Pacheco, reafirmou o quanto o amigo de infância era apaixonado não apenas pela escola de samba, mas pelo bumbá da promessa. Disse, em tom de saudade e brincadeira, como era a relação entre os dois já que Pacheco é torcedor do Caprichoso. A alegria e a simplicidade foram características marcantes na vida de Bandeira ao longo de 59 anos.

Luiz Pacheco – ex-presidente da Aparecida (Foto: Divulgação)
“Criaram uma diretoria, G9, e ele era um dos integrantes. Na verdade, eu até brincava que o Garantido não sabia contar porque era G9, mas tinha 10 [integrantes]. Ele sempre esteve nas decisões, contribuindo com muito respeito ao trabalho da associação folclórica”, comentou Pacheco.
Foi difícil para o ex-presidente falar a respeito do “irmão” no momento da despedida. “Eu ainda não acredito”, repetia por diversas ocasiões. Hamilton faleceu em decorrência de um infarto, mas não fumava, nem bebia e era assíduo em atividades esportivas, segundo Luiz. O legado que fica é a determinação de uma palavra assertiva, calma e dedicada.
“Ele não gostava de holofote, quando a gente homenageava. Mas trabalhou muito, fez com que a Aparecida se tornasse o que ela é. Ninguém vai esquecer Hamilton Bandeira, foi um cara que fez muito”, comentou.
O vice-presidente da escola, eleito junto com Bandeira, Duda Pacheco, disse que a ideia é manter o papel de liderança e os projetos que já haviam sido iniciados. Também afirmou que a escola não vai deixar de homenagear o líder que partiu durante o desfile na avenida.

Duda Pacheco – vice-presidente da Aparecida (Foto: Nilton Ricardo)
“Ele deixou um legado para a cultura em geral, vamos dar andamentos ao projetos para honrar ele e vamos fazer um carnaval grandioso em nome de Hamilton Bandeira. Ele ensinou tudo pra gente, desde o ensinamento [básico] até à confecção das alegorias”, comentou.
Os familiares preferiram não falar com a imprensa, abatidos com a situação, mas confirmaram que o velório continua no salão até 15h e na sequência um cortejo vai sair em direção ao Cemitério São João Batista, Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul; antes do destino final, uma parada está prevista em frente à quadra da Aparecida. O sepultamento, aberto ao público, está marcado para 16h.