Maior seca em 28 anos já soma 1.230 incêndios em Manaus
Em meio à maior seca em 28 anos, Corpo de Bombeiros alerta para sobrecarga elétrica e queimadas urbanas
Rodolfo e Antony Cavalcante dos Santos, o primeiro tinnha10 meses e o segundo 3 anos. Vidas que foram interrompidas em um incêndio na manhã de quarta-feira (12), no Parque São Pedro, zona Oeste de Manaus. Os irmãos dormiam em uma mesma cama e foram carbonizados. A Polícia Civil do Amazonas acredita que um superaquecimento na fiação de um ventilador foi o que provocou o fogo.
Os pais não estavam em casa; haviam saído para comprar pão. Ambos devem ser indiciados por abandono de incapaz. Quando foram apresentados na delegacia, sequer conseguiam responder aos questionamentos da imprensa; a mãe estava visivelmente abalada. Uma fatalidade que marca um período em que Manaus “pega fogo”.
De janeiro até 9 de agosto, a capital do Amazonas registrou 1.230 incêndios urbanos ou em vegetação. No mesmo período do ano passado, foram apenas 486. Os dados são do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
Os sinistros não têm hora para ocorrer; nas manchetes de A CRÍTICA, você pode encontrar reportagens no período da manhã, tarde e até pela noite. Tudo isso em uma rotina de calor desgastante, já que há mais de um mês não há chuva na cidade.
O CBMAM ampliou o número do efetivo. Entre 2019 e o ano passado, o total saiu de 692 para 1.537 agentes, diante da necessidade de resposta mais rápida e de maior presença tanto em Manaus quanto no interior do Estado. Mesmo assim, a capital teve recorde no registro dos incêndios. Como explicar esse cenário?
Fatores
A realidade em que vivem os manauaras demanda uma explicação complexa, que não pode ser relacionada a um fato de forma exclusiva. É importante lembrar dos impactos causados por efeitos climáticos, como o El Niño. Neste segundo semestre, a cidade teve o julho mais seco em 28 anos e ainda registramos a maior temperatura de 2026: 36,2 °C, em 10 de agosto.
O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, lembrou que o período mais seco deve se manter até novembro. Até lá, as pessoas precisam estar “envolvidas na solução”. Isso significa que há uma série de ações preventivas que podem ajudar a diminuir a ocorrência de incêndios. O primeiro ponto é evitar colocar fogo em lixo como forma de descarte desse material. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que de 0,6% a 0,8% dos domicílios recorrem à prática (de 15 a 20 mil pessoas).
“Não ateie fogo em seus quintais. Nessa época do ano, seca o entulho, junta a garrafa PET, o palete velho, a madeira e você taca fogo. Não faça isso; recolha o lixo e coloque-o à disposição do serviço de limpeza pública. Estamos em um ascendente do número de incêndios”, comentou Muniz.

Fumaça e queimadas em vegetação urbana agravam ocorrências. (Jorge Alberto/Studio C/A CRÍTICA)
Cuidados redobrados
Dentro de casa, a atenção também precisa ser redobrada. É natural que a população abra mais a geladeira e utilize bastante ventiladores e condicionadores de ar, mas essa rotina nova pode sobrecarregar a rede elétrica das residências. O resultado é um curto-circuito que pode gerar fogo. Nesse sentido, Muniz disse que qualquer calor da ordem de 1.000 °C já é suficiente para gerar um incêndio.
Até no trabalho é preciso ser precavido. Um exemplo são os profissionais que atuam com a solda de equipamentos ou qualquer outra atividade que eventualmente gere fogo. Muniz alerta que os materiais de segurança devem ser os primeiros a serem respeitados; o trabalhador não pode deixar de usá-los. Além disso, é importante estar atento ao redor para evitar incêndios.
“Precisa ser feito de forma criteriosa ou em locais adequados; nunca faça dentro de casa ou perto de alguma coisa que possa, eventualmente, iniciar um incêndio”, comentou.
O ideal é evitar o uso de “réguas”, também conhecidas como extensões. Benjamim ou “adaptador em T” para ligar vários aparelhos em uma mesma tomada também não pode. Fique atento aos ferros do plugue (parte do fio que se conecta à tomada); caso estejam queimados ou com a base derretida, pode ser um sinal de que o sistema de eletricidade da casa precisa de revisão. O adequado é chamar um eletricista.