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Marcelo Ramos condena ameaça de Ministro da Defesa às eleições de 2022

O Ministro teria dito que sem voto impresso não haveria eleições em 2022

Publicado em 22/07/2021 às 17h37 · Atualizado em 09/03/2022 às 01h41
Marcelo Ramos condena ameaça de Ministro da Defesa às eleições de 2022
Foto: Reprodução / Internet

Em meio ao debate pela adoção do semi-presidencialismo, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), condenou nesta quinta-feira (22), ameaças feitas pelo Ministro da Defesa, Walter Braga Neto, de que não haveria eleições em 2022 sem a aprovação do voto impresso que está em discussão na Câmara e após o recesso parlamentar deve ser derrubado.

“Numa democracia, quem decide se tem ou não eleição não são os militares e sim a Constituição que eles juraram defender e cumprir. Portanto, se realmente houve o episódio, o ministro da Defesa, Braga Neto, se afasta do seu juramento militar e envereda por um golpismo que precisa ser combatido duramente pela sociedade, pelos Poderes e pelas instituições democráticas. A notícia de que o presidente Arthur Lira foi claro ao presidente Bolsonaro se postando ao lado da Democracia e da Constituição é uma questão importante”, disse Ramos.

Após a repercussão, Braga Netto e Lira negaram as ameaças às eleições. Ao chegar nesta manhã ao Ministério da Defesa, Braga Netto foi indagado sobre a reportagem por jornalistas e limitou-se a responder: “mentira, invenção”. Lira, por sua vez, foi questionado sobre a reportagem pela Reuters e respondeu em uma mensagem de texto: “mentira”.

Conforme o jornal o Estado de São Paulo, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) teria recebido um duro recado do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, por meio de um importante interlocutor político. O general pediu para comunicar, a quem interessasse, que não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso e auditável.

O recado dos militares foi visto por Lira como uma ameaça ao regime democrático do país. O líder do Centrão se comprometeu a apoiar o presidente Bolsonaro, inclusive numa eventual derrota na eleição presidencial, mas que não iria compactuar com tentativas de golpe.

Lira teve uma conversa com o presidente sobre a comunicação que negou ter defendido um golpe. No dia 8 deste mês, após o presidente da CPI da Covid ter declarado que existe uma “banda pobre” nas Forças Armadas em referência a isolados militares que negociaram vacinas com sobrepreço, matéria de investigação do colegiado, o ministério da Defesa emitiu uma nota atacando frontalmente Aziz.

A nota foi tida como desproporcional pelos senadores que fazem parte da CPI que pressionaram o presidente do Senado a se posicionar de maneira mais enérgica contra o conteúdo da nota.

Em 2018, o ex-comandante do Exército, general Villas Boas twittou em tom de ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que não fosse concedido um habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi também nesse contexto que o tema semipresidencialismo entrou de vez na agenda da Câmara. Lira conversou com o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) e pediu que ele acelerasse a coleta de assinaturas para a emenda que pode instituir o novo sistema de governo no País.

Para tramitar, a proposta precisa de 171 assinaturas. Adotado em países como França e Portugal, o modelo tira poderes do presidente, criando a figura do primeiro-ministro, que passa a ser o chefe de governo.

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