Maternidade sem ponto final: os desafios de ser mãe quando os filhos crescem
Do puerpério à infância, da adolescência ao início da vida adulta, há batalhas diárias que moldam não só os filhos, mas as mulheres que os criam
Ser mãe é atravessar muitas fases. Do puerpério à infância, da adolescência ao início da vida adulta, há batalhas diárias que moldam não só os filhos, mas as mulheres que os criam. No entanto, o que muitas vezes passa despercebido é que a maternidade não termina quando os filhos crescem. Ela apenas muda de forma. Às vésperas do Dia das Mães, celebrado neste domingo (11), mulheres que passaram pelos altos e baixos da criação dos filhos compartilham os desafios – e os aprendizados – de maternar na fase adulta da vida dos seus filhos.
Wladia Maia, 46 anos, é servidora pública e presidente do Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Amazonas. Mãe solo de Vitor Luiz, hoje com 26 anos, ela lembra com emoção da trajetória que começou cedo, ainda aos 19.
“Não foi fácil. Eu estava começando a faculdade de Direito, dava aula de inglês, e cuidava do meu filho. Era muita renúncia, mas contei com minha mãe e minha avó. Mesmo quando não tinha muito tempo, eu sempre busquei dar qualidade aos momentos em que estávamos juntos”, relembra.

Presidente do Sindicato dos Servidores do MP do Amazonas, Wladia Maia, 46 anos, é mãe solo de Vitor Luiz, hoje com 26 anos (Foto: Acervo pessoal)
A missão de criar um homem sozinha trouxe uma responsabilidade ainda maior. Wladia fala com orgulho de ver o filho hoje formado, mestrando, advogado e professor. “É gratificante ver o homem que ele se tornou: dedicado, amoroso, honesto e responsável. Ainda moramos juntos e dividimos as tarefas da casa e o cuidado com nossos dois cachorrinhos. Temos uma relação de profunda parceria. A maternidade é um de grande importância na minha vida”, diz, emocionada.
Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, de 52 anos, a maternidade se apresenta de formas múltiplas. Mãe de três filhas – duas adultas, de 33 e 20 anos, e uma criança de 7 – ela vive diferentes estágios maternos simultaneamente.

Arquiteta Melissa Toledo e filha de sete anos de idade (Foto: Acervo pessoal)
“É desafiador acompanhar cada fase com suas peculiaridades. Com as adultas, é aprender a respeitar suas decisões e estar por perto, sem controlar. Já com a pequena, sigo ensinando e guiando. Maternidade na vida adulta exige ressignificação e escuta”, disse Melissa.
Melissa também compartilha a complexidade emocional de ser o porto seguro que os filhos adultos às vezes precisam – e outras vezes recusam. “Temos que aprender a confiar nas escolhas deles, mesmo que não concordemos. E mais: estar ali quando essas escolhas não forem boas. Ser mãe é isso. É não soltar a mão, mesmo quando o caminho é diferente do nosso”, reflete.
Para ela, a conciliação com a carreira é parte do processo. “Escolhi ser mãe e profissional. E sigo aprendendo, todos os dias.”
O que une as histórias de Wladia e Melissa é o amor maduro, que resiste ao tempo e se adapta. A maternidade depois da infância é feita de diálogos, silêncios, apoio e confiança. É saber que o ninho pode estar cheio ou vazio, mas o laço permanece. Neste Dia das Mães, entre flores, cafés da manhã e mensagens carinhosas, vale lembrar: o trabalho da maternidade adulta é, muitas vezes, silencioso – mas continua sendo essencial. Afinal, ser mãe não tem ponto final. Apenas vírgulas.