Manaus sex, 30 out
A Crítica
Geral

Missão de ser mãe e conciliar com trabalho pode ser um desafio para a maioria das mulheres

Nem todas vivem um mar de rosas, principalmente quando sofrem preconceitos. Confira relatos:

Publicado em 14/05/2023 às 15h36
Missão de ser mãe e conciliar com trabalho pode ser um desafio para a maioria das mulheres
Foto: Divulgação

A reinserção no mercado de trabalho após o nascimento de um filho pode ser desafiador para uma mãe que deseja retomar a vida profissional. A especialista em marketing Nataly Silveira, de 39 anos, mãe de um menino de sete anos, por exemplo, viu a sua vida corporativa mudar depois da descoberta da gravidez. 

Neste domingo é celebrado o Dia das Mães. As histórias reais a seguir são de mães contando a difícil e árdua missão que é ter filho, trabalhar e ainda sofre preconceito pelo simples fato de serem mulheres e mães. 

“Desde a gravidez, para ser bem sincera, tudo mudou”, confessou ela, que foi demitida depois de retornar da licença maternidade. “Tirei licença e o período de férias que cabia dentro dos meus direitos. Quando retornei à empresa, fui desligada no mesmo dia. Sem direito nem a adentrar ao setor e ir na minha mesa pegar as minhas coisas. Não pude nem me despedir dos colegas”. 

A experiência de alguns anos nunca foi esquecida por Nataly Silveira que, atualmente, luta há sete meses por uma recolocação no mercado de trabalho. Na prática, o que acontece, segundo ela, é que os recrutadores fazem questionamentos invasivos durante as entrevistas de emprego. 

“Em quase todas as entrevistas que fiz nesses sete meses, nem que seja ao final, sempre perguntam: ‘você é casada?’, ‘tem filhos?’. Quando respondo, já perguntam logo, ‘com quem ele fica pra você poder trabalhar?’”, disse ela.

Discriminação

Para a especialista em marketing, o mercado de trabalho discrimina mulheres, sobretudo as mulheres mães. “Vejo meus amigos homens se recolocando e pergunto como é a entrevista deles, é aí que vejo que não é igual. Eles não são questionados se tem filhos ou com quem deixam para trabalhar”, lamentou ela.

Medo de dizer que é mãe 

A fotógrafa Aline Fidelix, 32, é mãe de dois meninos, um de quatro anos e um de quatro meses. Por trabalhar como freelancer, ela prefere não contar ao contratante que é mãe de duas crianças. 

“Eu trabalho como freelancer e sinto que tenho um pouco mais de dificuldade comparando a quem é CLT, pois sinto que fico mais vulnerável quando digo que tenho filhos, já que no meu caso a renda vem por demanda”, comentou ela, que opta por não contar detalhes da vida pessoal.

“Por isso, eu não costumo divulgar nas minhas redes sociais que tenho dois curumins, justamente por medo de isso ser um empecilho na hora de contratar meus serviços”. No ano passado, quando engravidou do segundo filho, ela viu sua agenda de trabalhos despencar por conta da gravidez. 

“Eu descobri a gravidez em maio e tinha trabalhos fechados até setembro. Em alguns, eu consegui ir sem contar que estava grávida, porém quando contei, fui substituída na maioria dos trabalhos e foi muito ruim, me desencadeou várias situações psicológicas que eu não gostaria de ter passado na gestação”, revelou ela, que tenta voltar aos poucos a rotina de coberturas.

“Com dois meses do meu filho mais novo, eu já comecei a trabalhar. Porém, esse ano só fiz no momento três coberturas. Mas estou voltando a circular e avisando que estou disponível para trabalhos”.

Direitos trabalhistas

 A proteção à maternidade é um direito constitucionalmente garantido às trabalhadoras brasileiras regido pela Consolidação das Leis do Trabalho  (CLT) e pela a Constituição Federal.  Sendo assim, um dos direitos da mulher mãe é de não sofrer discriminação no mercado de trabalho e esse direito pode ser encontrado no artigo 373-A, III, da CLT. 

“A problemática de empregabilidade para mulheres mães para além da questão social, traz alerta sobre a legislação e os empregadores precisam atuar em observância as Leis de Consolidação de Leis do Trabalho (CLT)”, lembrou a advogada Alessandrine Silva, que destaca que o Dia das Mães é uma data a qual deve ser refletiva por todos.

“É preciso conscientizar o empregador e o poder público que o respeito aos direitos das mulheres mães beneficiam não apenas aquela família, mas toda a sociedade, pois elas impactam significativamente na redução de gastos públicos em áreas como educação e saúde”.

Debate

As duas mães compõem o movimento “Roda de Mães Baré”,  uma iniciativa formada por mulheres mães e que já soma oito anos de existência. 

Neste ano, o grupo promove a Campanha #MeDeixaTrabalhar que debate amplamente pautas como a discriminação com mulheres mães no mercado de trabalho. 

“A campanha surgiu após as mulheres da roda de mães trazerem denúncias e realizarem reflexões no grupo de WhatsApp que temos”, explicou a advogada Alessandrine Silva, que também é mãe de duas crianças e idealizadora da Roda de Mães Baré.

“São duas as realidades comuns à nós, uma é discriminação de gênero, que às vezes sequer nos permite chegar à entrevista, e a outra é a ausência de políticas públicas para nosso grupo social, como por exemplo, a falta de creche, ou escolas integrais, ou ainda a horários escolares incompatíveis com nosso trabalho”, reforçou ela. 

Segundo Alessandrine, a ideia da campanha é reunir relatos de mulheres mães a fim de enfrentar as desigualdades de gênero e a discriminação no mercado de trabalho. 

“Nós queremos ser ouvidas, e sensibilizar as empresas para o que diz a legislação, e para que isso promova uma mudança de postura, mas para além disso, encaminharemos relatos e denúncias ao ministério público do trabalho, para que verifiquem quais medidas podem ser tomadas contra empregadores que discriminam mulheres mães”.

Leia também

Voltar para Geral