Modelo da Zona Franca protege a floresta Amazônica, afirmam cientistas
Em Brasília, parlamentares e pesquisadores defenderam o modelo da Zona Franca de Manaus, após as recentes declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes
Parlamentares, pesquisadores e acadêmicos do Amazonas foram unânimes em afirmar que a Zona Franca de Manaus tem papel preponderante na preservação ambiental não somente do estado, mas de toda a Pan-Amazônia (que envolve nove países do continente sul-americano).
No debate, promovido pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (Cdeics), da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (11), em Brasília, essa tese foi explicitada pelo estudo do professor-doutor Alexandre Rivas, da Universidade Federal do Amazonas e presidente do Instituto Piatam, “Instrumentos econômicos para a proteção da Amazônia – A experiência do Polo Industrial de Manaus”.
Tanto os membros da Cdeics quanto os convidados da audiência pública solicitaram à coordenação do Sínodo da Amazônia que o tema Zona Franca de Manaus não fique de fora da discussão episcopal. A reunião dos bispos amazônicos com o papa Francisco ocorrerá entre 6 e 27 de outubro deste ano no Vaticano.
Para o presidente da Comissão e autor da proposta de audiência pública, deputado Bosco Saraiva (SD-AM), o Sínodo para a Amazônia, cujo tema é “Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para a Ecologia Integral”, é uma emergência. Surge para alertar sobre a perda de capital amazônico, não apenas o natural, mas a pressão sobre os povos e comunidades tradicionais, assumindo a denúncia de uma internacionalização. E Zona Franca de Manaus é um projeto de desenvolvimento regional que converge aos argumentos do Sínodo da Amazônia.
“O Parlamento se reúne para apresentar as suas manifestações sobre o Sínodo da Amazônia e suplementar a discussão sobre os valores que queremos para a região. Nós e a Igreja estamos de mãos dadas pela preservação da floresta e pelo protagonismo regional no desenvolvimento que pretendemos para a região. O lema ‘A Amazônia é Nossa’ inspira cuidado e nos motiva ao abraço coletivo em defesa da região”, declarou Bosco Saraiva.
O coordenador nacional de articulação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam/Brasil), Leon Patrick de Souza, disse que a audiência pública se insere no conjunto de diálogos promovidos pela Igreja junto às comunidades da Amazônia, no processo de preparação para o sínodo; e que a Zona Franca de Manaus, por estar instalada na maior cidade da pan-Amazônia, pode ajudar a conceber formas de desenvolvimento que priorizem a dignidade humana.
“O desenvolvimento humano é integral e não pode se separar o meio ambiente das pessoas, por isso, esse debate da Zona Franca ajuda nessa integralidade”, disse Souza. Ainda se manifestaram sobre essa relação ZFM e preservação ambiental o reitor da Ufam, Sylvio Puga, o deputado estadual Serafim Correa, representando a Assembleia Legislativa do Amazonas; e o vereador Elias Emanuel, representando a Câmara Municipal de Manaus.
Futuro da ZFM é a bioeconomia
O ponto alto do debate ocorrido nesta quarta-feira (11) na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (Cdeics) foi a participação do professor-doutor Alexandre Rivas, da Ufam e do Instituto Piatam. Ele apresentou a sua pesquisa, em parceria com o professor José Alberto da Costa Machado, James Randall Kahn e José Aroudo Mota, de 2009, que mostra, com dados científicos, a relação direta entre o Polo Industrial de Manaus e o menor nível de desmatamento do estado do Amazonas. Essa tese foi reafirmada por um recente estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
“Esses dois estudos mostram claramente que a Zona Franca deve continuar, mas precisa ir além, avançar nos processos de desenvolvimento industrial e gerar alternativas econômicas, usando sua vocação potencial, como a biotecnologia, bioeconomia, acreditando e desenvolvendo o mercado de carbono, com uma bolsa específica para esse fim. É preciso, é necessário investir no EcoPIM porque esse é o futuro da Zona Franca de Manaus”, disse o professor Alexandre Rivas. O reitor da Ufam, Sylvio Puga, lembrou que essa tese da preservação ambiental foi importante e decisiva na prorrogação da ZFM, em 2013 e será novamente.