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A Crítica
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Moradores do ‘Bairro do Céu’ temem perder as casas em desabamento

Comunidade no Centro de Manaus tem residências afetadas por vazamento de uma tubulação de esgoto

Publicado em 06/03/2025 às 17h51 · Atualizado em 06/03/2025 às 18h45
Moradores do ‘Bairro do Céu’ temem perder as casas em desabamento
Fotos: Reprodução

Moradores relatam risco de desabamento e inundação em casas da comunidade conhecida como “Bairro do Céu”, no Centro de Manaus, ao lado do Colégio Militar. Segundo os relatos, há dois anos a prefeitura instalou uma tubulação de esgoto que acarretou o comprometimento de sete casas, problema que até o momento não foi resolvido.

O morador Ricardo Magalhães, 34, teve que sair às pressas de sua residência após uma parede desabar. Ele ressaltou que antes da prefeitura instalar a tubulação, nenhuma casa corria risco de desabamento, pois o escoamento da água não acontecia de forma concentrada em um só lugar. 

“É complicado porque a gente teve que sair da casa correndo, devido à galeria (tubulação) estar jogando água nela. Estourou tudo e estava passando tudo para dentro de casa em risco de desabar a casa. Eu estava com meu filho de 5 anos aqui, quando aquela parede cedeu e corri com ele para o andar de cima, até a chuva passar um pouco e irmos embora”, disse o morador.

Ricardo relatou que, após o ocorrido, buscou apoio junto aos órgãos competentes, incluindo a prefeitura e a Defesa Civil. Disse que recebeu auxílio-aluguel por  cinco meses e, depois disso, nada mais foi feito.

“Fui na Defesa Civil, que interditou o local. Tá aqui, ninguém faz nada. A gente correu atrás e agora está na Justiça para ver se fazem alguma coisa. Na época que aconteceu, recebemos ajuda com aluguel só por quatro ou cinco meses, depois disso abandonaram, deixaram a gente na mão. Agora eu me viro para pagar, porque aqui a gente corria risco de vida”, afirmou.

Mesmo desempregado, o morador afirmou que tem se esforçado para pagar o aluguel. Ele contou, ainda, que seus vizinhos não conseguem deixar o local e temem que sua casa, por onde passa a tubulação, desabe, colocando as demais em risco. “A gente saiu daqui, está tudo de boa. Agora os vizinhos que estão aqui, estão em risco de desabar em cima deles a casa”, disse. 


Ricardo Magalhães teve que sair às pressas de sua residência após uma parede desabar durante a forte chuva (Foto: Junio Matos)

A aposentada Maria da Conceição, 70, disse que mora no local há 53 anos e que antes da tubulação a água escorria pela escadaria e não alagava e que depois disso, comprometeu a casa de Ricardo e ameaça cair em cima da residência da filha dela. 

“Aqui tem um buraco engolindo tudo. A água escorria antes, agora alaga tudo. Essa chuva que teve esses dias alagou tudo. A casa da minha filha fica do lado da dele, que é a que tá desabando e pode cair bem em cima da dela”, contou a moradora. 

Sob risco

A CRÍTICA esteve no local e verificou que algumas partes da casa já desabaram e que ao redor há pelo menos cinco casas próximas. Ao lado da residência de Ricardo tem uma casa de madeira, que segundo relatos já teve telhado quebrado por pedaços caídos da outra residência.

O morador Heliandro Alberto, de 50 anos, é proprietário dessa casa de madeira. Ele contou que mora com sua esposa e sua filha, uma criança de seis anos. Heliandro também recebeu auxílio-aluguel, mas quando foi cortado, precisou retornar à área de risco. 

“Acabou o meu auxílio, eu tive que voltar, porque eu não tenho condições. De lá para cá o problema se agravou mais, eu estou com todo o documento registrado. Eu estou com o protocolo do engenheiro condenando essa casa, mas a casa só pode ser demolida com autorização do proprietário, porque eles podem entrar com uma ação. E no caso, o dono do imóvel que tem que entrar pelos órgãos, mas eles querem uma indenização da prefeitura”, afirmou. 

Ele criticou a demora da prefeitura em resolver o problema, que há dois anos anuncia uma tragédia. “Estou morando, aí digamos que a casa caia. Chega a prefeitura e dá somente uma nota de esclarecimento dizendo que eu estava morando e que teve um deslize e no final quem vai se ferrar sou eu e minha família”, disse. 

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus, com a Secretaria de Infraestrutura (Seminf) e Secretaria Municipal de Assistência e Cidadania (Semasc), mas até o final da matéria não obteve retorno. Assim que a prefeitura se posicionar, uma nota será acrescentada.

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