Movimento pró-garimpo culpa imigração por avanço da atividade em Roraima
Coordenador político do Movimento Garimpo Legal, Jailson Mesquita, articula as negociações para uma saída pacífica junto ao governador de Roraima, Antônio Denarium
Articulados politicamente, garimpeiros pleiteiam uma saída pacífica do território Yanomami. Para isso, pedem clareza do governo federal em relação às possíveis consequências aos crimes e manutenção da alimentação aos invasores. Até o momento, segundo lideranças, 10 mil garimpeiros ainda estão no TIY.
Coordenador político do Movimento Garimpo Legal, Jailson Mesquita, articula as negociações junto ao governador de Roraima, Antônio Denarium. Ele revela que nas últimas conversas do estado com a Casa Civil e o Ministério da Justiça e Segurança Pública foi cogitado inclusive a criação de um auxílio emergencial para os garimpeiros.
Jailson credita o aumento da ação garimpeira, desde 2016, ao boom da migração venezuelana e ao desemprego que levou milhares de moradores da periferia de Boa Vista para o garimpo ilegal.
“Um empresário que pagava um garoto para trabalhar no supermercado das 7h da manhã às 6h da tarde teve um venezuelano que trabalhava pelo mesmo valor, das 7h da manhã às 11h da noite, então ele preferiu contratar o venezuelano”, contou o líder que chegou a negociar a criação de um comissão mista no Congresso que foi aprovada somente no Senado.
Jailson Mesquita culpa ainda a “espetacularização do caso pela mídia” que segundo ele “causou um pânico nas pessoas” que imediatamente buscaram sair de forma voluntária do território. O problema, no entanto, seria o rápido fechamento das saídas aérea e fluvial que isolou os garimpeiros. Eles, sem assistência, tem criado um ambiente “tenso”, inclusive com registros de assassinatos.
“Colocaram (os veículos nacionais) como se Roraima tivesse sido tomada pelas FARC na Colômbia, que o ministro vinha pra cá com Marinha, Exército, Aeronáutica para fazer combate de guerrilha. Criou-se um clima ruim entre o estado (Roraima) e o governo federal. Aos poucos o governo federal vai descobrindo que não é o que eles pensavam que é”, afirmou.
“Já tem uma parcela grande que começa a ficar sem alimento. Inclusive estamos pensando aqui na forma como vão levar os alimentos para que as pessoas fiquem em um local só, porque a medida que as pessoa forem transitando dentro da reserva indígena, corremos risco de ter conflito ou de pessoas se perderem”, completou Jailson.
Um dos pleitos do movimento é a aprovação da mineração em áreas não protegidas. Segundo o líder houve um equívoco na lei aprovada na Assembleia Legislativa de Roraima que previa a autorização ao uso do mercúrio. A medida foi derrubada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).