‘Não é tarefa fácil vacinar bovídeos no Amazonas’, afirma presidente da Adaf, José Omena
Presidente da Adaf explica que, para o Amazonas confirmar o status sanitário de livre de aftosa, é importante superar o índice de imunização acima de 95%, da campanha que vai até o dia 30 de abril
Diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal Amazonas (Adaf), José Omena, ressalta a importância do Estado atingir índice superior a 95% de vacinação contra a febre aftosa para confirmar o status de região livre da doença, reconhecimento feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Omena, na entrevista abaixo, fala do processo de imunização, no Amazonas, que envolve um rebanho estimado de 575 mil cabeças, de um total de 2,5 milhões “Não é uma tarefa fácil. Vacinar bovídeos no Amazonas não é a mesmo que vacinar em Santa Catarina”, disse o presidente da Adaf.
O Amazonas foi um dos estados reconhecidos como livre da febre aftosa sem vacinação. Qual o impacto disso para a economia local e na produção agropecuária?
Antes de mais nada, é fundamental esclarecer que o Estado ainda não possui o status sanitário livre de aftosa sem vacinação. A portaria Mapa nº 665, que reconhece o Amazonas como livre da doença, só entrará em vigor no dia 2 de maio. Temos uma campanha de vacinação em andamento até o dia 30 de abril. É indispensável que o Estado atinja um índice vacinal superior a 95%, caso contrário, nosso status sanitário poderá não ser confirmado. Isso seria um retrocesso que não podemos admitir. Contamos com a sensibilidade e comprometimento dos produtores amazonenses para superar a meta e confirmarmos o status de livre de aftosa sem vacinação.
Então, por enquanto, qual é o status sanitário do Amazonas em relação à febre aftosa?
Para efeito de combate à febre aftosa, o Brasil inteiro foi dividido em cinco blocos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A parte sul do Amazonas ficou no bloco I e todo o restante do Estado, no bloco II. O bloco I, que é onde está mais de 60% do nosso rebanho, já foi reconhecido internacionalmente como livre sem vacinação. O bloco II ainda é livre com vacinação. Mas esta campanha, que inclusive está acontecendo neste momento, deve ser a última, para que todo o Amazonas seja livre sem vacinação.
Quantos animais estão envolvidos nesta campanha? Todo o rebanho do Estado?
Não. Devem ser vacinados os bovinos e bubalinos do bloco II até 30 de abril. O Estado conta com um rebanho de 2,5 milhões de bovídeos no total. Só no bloco II, onde ainda se vacina, são aproximadamente 575 mil. Temos que vacinar mais de 95%. Para isso, nossas equipes no interior estão empenhadas na campanha. Não é uma tarefa fácil. Vacinar bovídeos no Amazonas não é a mesmo que vacinar em Santa Catarina. Em Roraima você percorre todo o Estado de carro em um dia. No Amazonas, queríamos fazer o lançamento da campanha em Carauari, mas não há voos e a viagem de barco demora seis dias. É um desafio gigantesco.
Como uma medida sanitária desse tipo impacta no preço da carne ao consumidor local?
Veja que o trabalho da Adaf é de defesa agropecuária, de modo que a autarquia não atua diretamente na formação de preços ao consumidor. Mas sabemos que o reconhecimento de todo o Estado como área livre de aftosa sem vacinação significará abertura de mercado, os pecuaristas terão mais segurança para investir, ampliar e modernizar a produção, o que pode significar oferta de carne e derivados de melhor qualidade e em maior quantidade, o que, em tese, poderia resultar em preços menores. Mas a composição do preço, como se sabe, depende de uma série de outros fatores, de modo que seria prematuro afirmar que haverá redução ou aumento.
Mas não ter que vacinar significará também economia para o produtor, certo?
Sem dúvida. Imagine a despesa para um pecuarista que precisa vacinar 800, mil animais. Mesmo com preço subsidiado, o produtor precisa comprar os imunizantes e isso entra nos custos de produção. É por isso que os produtores sonham com o fim da vacinação. Sem essa despesa, haverá mais recursos para investir na melhoria do plantel e outras áreas estratégicas.
Quanto foi investido para que o estado atingisse essa marca? Seja com gastos de pessoal, viagens, equipamentos.
É difícil chegar a um número exato porque a campanha de vacinação envolve a atuação de todo o Sistema Sepror, principalmente Adaf e Idam. Uma das principais despesas é a própria aquisição das vacinas. Para esta última campanha, o governo do Estado– e ressalto aqui o empenho pessoal do governador Wilson Lima – investiu aproximadamente R$ 1,6 milhão na aquisição de 375 mil doses. Desde 2019, o Amazonas já investiu R$ 4,1 milhões na compra de 1,5 milhão de doses de imunizantes. Esse investimento é necessário para que haja vacinas disponíveis nas localidades onde não há revendas agropecuárias. Nesse caso, os pecuaristas devem adquirir as vacinas nos escritórios do Idam.
Quando essa etapa for superada e o Amazonas obtiver o status livre de aftosa sem vacinação, qual será o próximo passo?
A vacinação será encerrada em abril. A partir de 2 de maio, de acordo com a portaria Mapa nº 665, o Amazonas terá o status livre de aftosa sem vacinação, mas uma série de outros critérios serão utilizados pelo ministério para confirmar o novo status ao longo do ano. Posteriormente, o governo brasileiro pleiteará junto à Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa) o reconhecimento internacional de livre de aftosa sem vacinação. Só então, o Amazonas terá erradicado a doença de fato, mas o reconhecimento do Mapa é um passo de fundamental importância.
A produção agropecuária é um desafio para o Amazonas devido às leis ambientais. Como o Governo e os produtores lidam com essa questão?
A legislação ambiental existe para assegurar que as atividades econômicas, notadamente a agropecuária, se desenvolvam de maneira sustentável, com respeito ao meio ambiente e com consciência de que os recursos naturais não são infinitos. A maior parte dos produtores entende essa questão e busca atuar de acordo com as normas. Há, é claro, uma minoria que ainda precisa ser conscientizada.