Nosso futuro depende do combate ao desperdício
No Dia Mundial da Água, conheça atitudes individuais que podem fazer toda a diferença para a vida em sociedade e prolongar nossa permanência no planeta
A água está presente em todos os aspectos de nossa vida. Além do uso doméstico, ela é essencial na agricultura, na criação de animais, como base para milhares de produtos, movimenta indústrias e usinas na produção de energia. À medida que a população do mundo cresce, as cidades aumentam e a demanda por água se amplia, mas o recurso é finito.
Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), a água doce equivale a menos de 3% de toda a água do planeta – o restante é constituído por água do mar e não potável. O Brasil é um dos países mais privilegiados por possuir o maior aquífero em volume de água do mundo: o Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), posicionado nas bacias do Amazonas e parte do Pará e Acre, com mais de 160 quatrilhões de litros de água doce capazes de abastecer o planeta por pelo menos 250 anos.
Entretanto, mesmo com essa imensidão de água potável, a estimativa de tempo pode ser bastante reduzida caso o aumento do consumo não seja acompanhado por ações de combate ao desperdício. Se não cuidarmos, a água acaba muito antes disso.
Higiene consciente
Conforme o gerente de recursos hídricos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Sérgio Martins, o consumo de água pela população amazonense aumentou devido a pandemia do coronavírus que tornou a higiene ainda mais necessária. Porém, alerta ele, mesmo assim é importante manter a economia.
“A orientação para a população é que não desperdice água, principalmente nesse momento que ela se tornou um dos principais instrumentos para o combate do novo vírus. Estima-se que um banho de 15 minutos pode gastar até 135 litros de água. Com o período de quarentena, o número de pessoas em casa aumentou, logo, o consumo da água também. O momento é crítico, mas esperamos que todos se conscientizem que usar a água racionalmente ainda é necessário”, comentou Martins.
De acordo com a ANA, é preciso detectar e combater o desperdício que pode ser causado por falta de consciência ao usar a água, vazamentos ou falha na manutenção em redes de encanamentos, entre outros.
E atitudes simples podem fazer grande diferença no uso sustentável: fechar a torneira enquanto escova os dentes rende uma economia de até 80%; lavar a louça apenas depois de ensaboar; abrir o registro do chuveiro apenas na hora de enxaguar o corpo; não lavar o carro com a mangueira ligada.
Buscou saúde e ‘achou’ economia
Atitudes para economizar água foram adotadas recentemente pela professora indígena Jeane Morepe’i, da etnia Sateré-Mawé, que já sente a diferença na vida da família.
Moradora da comunidade Waikiru, localizada no bairro da Redenção, Zona Oeste de Manaus, Jeane adotou o consumo consciente no ano passado, após ter o sistema de água em casa regularizado.
“Usávamos água clandestina, mas não porque a gente não quisesse e sim por falta de conhecimento. Agora não temos burocracia para conseguir água. Cada família tem seu contador, cada um paga sua conta. Antes as contas chegavam a R$ 500 e ia tudo para o nome do meu pai, que é o cacique daqui”, conta a professora.
A indígena, que é mãe de dois filhos de 8 e 10 anos, comenta ainda que a comunidade possui 40 famílias residentes que consumiam água de forma clandestina há mais de 30 anos. E nesse período, muitas crianças e até mesmo adultos adoeceram.
“Era uma questão de necessidade. Passamos 30 anos consumindo essa água que tem bactérias. Não tínhamos entendimento, mas as crianças começaram a adoecer e procuramos outras formas de ter água”, contou Jeane.
Carro limpo com meio litro de água
Outra atitude individual que deve ser repensada é a lavagem de veículos. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a lavagem convencional utiliza cerca de 300 litros de água por veículo leve e chega a consumir mil litros para veículos pesados.
Quando descartada no meio ambiente, essa água acaba levando consigo graxas, óleos e outros resíduos para os esgotos públicos.
Na contramão do desperdício, os irmãos Luiz Felipe e Fernando Santos resolveram oferecer a lavagem ecológica e a domicílio aos condutores de Manaus. A ideia, conforme os sócios da Kiip Delivery Estética Automotiva, é levar a praticidade do serviço aos clientes em meio a pandemia e ainda economizar na quantidade de água.
Negócio dos irmãos Luiz Felipe e Fernando nasceu em plena pandemia. Foto: Gilson Mello.
“Abrimos a nossa empresa em novembro do ano passado, com essa ideia de lavagem a seco com ‘Snow Foam’, espuma que dissolve e facilita a retirada da sujeira. De lá pra cá, já realizamos a lavagem de mais de 100 carros”, relata Fernando Santos.
A inovação, segundo ele, é que a lavagem completa do carro utiliza no máximo 500 ml de água: “A gente consegue eliminar toda a sujeira com esse pouquinho e água misturada aos produtos. E ainda dá brilho para o carro. Assim contribuímos com o meio ambiente e o cliente ainda sai satisfeito”.
A lavagem a seco dura em média 1h30, podendo se estender até 2h caso o veículo esteja extremamente sujo. Em relação ao preço do serviço, a média varia entre R$ 40 a R$ 65 de acordo com o tamanho do veículo.