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A Crítica
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O Brasil precisa de pacificação

Apenas ontem a Polícia Rodoviária Federal, com apoio da Polícia Militar, começou a atuar de maneira enérgica na remoção dos bloqueios que já ameaçavam o abastecimento das cidades

Publicado em 02/11/2022 às 10h02
O Brasil precisa de pacificação
Foto: Estadão Conteúdo/Leo Piva

As eleições terminaram domingo, resultando na eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas quem esperava que a definição das urnas fosse bastante para dar início à pacificação do País, há tempos dividido entre esquerda e direita, viu os ânimos se acirrarem a níveis até então inéditos neste século. A reação de eleitores  – que iniciaram segunda-feira centenas de protestos pelo País – tem adiado o tão esperado apaziguamento da Nação. 

Trata-se de um obstáculo que deve ser enfrentado e superado pela força 
das instituições. Ainda que se pondere sobre o direito dos manifestantes em externar seu descontentamento – o que é assegurado pela Constituição -, 
motivações de cunho golpista e a interrupção da livre circulação de pessoas em face do bloqueio de estradas caracterizam crimes que devem ser combatidos com os rigores da lei. 

Desde que a Lei 14.197/2021 entrou em vigor, é crime “tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito”, com pena de reclusão de quatro a oito anos. Além disso, a própria obstrução ilegal das rodovias é infração classificada como gravíssima. Apenas ontem a Polícia Rodoviária Federal, com apoio da Polícia Militar, começou a atuar de maneira enérgica na remoção dos bloqueios que já ameaçavam o abastecimento das cidades, causando prejuízos econômicos. Não é à toa que entidades empresariais como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) já se manifestaram exigindo a liberação das vias. 

Os manifestantes atuam de acordo com uma realidade paralela que só existe nos grupos virtuais de que participam, na esperança de que as Forças Armadas atendam seu apelo e assumam o controle do País. Um delírio coletivo que resiste à repressão policial. Mas a razão há de prevalecer. O País precisa urgentemente de paz, de normalização. As urnas falaram, a democracia prevaleceu. É hora de guardar as bandeiras, desarmar o espírito e olhar para frente. Um novo governo assumirá o comando da nação, legitimado pelo processo democrático. É legítimo discordar, opor-se, criticar e fiscalizar, mas rejeitar com violência o resultado das urnas é atentar contra a democracia e em nada contribui com o País.

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