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A Crítica
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O Dia do Trabalhador em tempos de burnout — quando o cansaço deixa de ser normal

Em tempos de metas inalcançáveis, jornadas exaustivas e pressões silenciosas, o esgotamento deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de muitos brasileiros.

Publicado em 01/05/2025 às 12h36
O Dia do Trabalhador em tempos de burnout — quando o cansaço deixa de ser normal
Foto: Reprodução

No Dia do Trabalhador, celebrado neste 1º de maio, o Brasil celebra conquistas, relembra lutas e reforça a importância da valorização da força de trabalho. Mas em 2025, a data também acende um alerta cada vez mais urgente: a síndrome de burnout. Em tempos de metas inalcançáveis, jornadas exaustivas e pressões silenciosas, o esgotamento deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de muitos brasileiros.

A psicóloga Isabella Barbosa explica que existe uma linha tênue entre o cansaço comum e o esgotamento extremo. 


Psicóloga Isabella Barbosa (Foto: Arquivo Pessoal)

 

“Cansaço normal é quando você termina o dia exausto, mas ainda consegue conversar, sentir prazer no que faz. No burnout, você perde o sentido do trabalho, vive num ciclo de ansiedade, insônia, dores físicas e isolamento. Seu corpo dá sinais, sua mente grita”, afirma.

Segundo uma pesquisa conduzida por Cardoso Batista Souza, as categorias mais atingidas são as que envolvem cuidado e responsabilidade emocional: profissionais de saúde, professores e estudantes. A proximidade constante com demandas humanas, associada à sobrecarga estrutural, torna esses grupos especialmente vulneráveis ao colapso.

A jornalista Joelma Muniz, 38 anos, sentiu na pele as marcas do burnout. Com mais de uma década de experiência como assessora de imprensa, ela enfrentou um colapso físico e emocional após anos de cobrança desumana. 


Jornalista Joelma Muniz (Foto: Arquivo Pessoal)

 

“Eu vivia para o trabalho. Meu telefone tocava de madrugada. Eu não era mais mãe, nem esposa. Era só resultado, cobrança e medo. Perdi o controle da minha vida”, relembra.

Joelma conta que o adoecimento começou com sintomas sutis:  insônia, medo do telefone, pânico ao pensar no trabalho, até que um apagão em um shopping a fez perder completamente a noção de tempo e espaço. 

“Foi o fundo do poço. E o mais assustador é que, mesmo sendo uma pessoa informada, eu não percebi o que estava acontecendo”, diz.

O burnout deixou cicatrizes profundas: síndrome de Ménière (zumbido crônico no ouvido), arritmia cardíaca, queda de cabelo, obesidade e depressão.

“É uma doença que não se cura, se controla. E voltar ao mercado com limites é um desafio, porque qualquer tentativa de se preservar pode ser vista como fraqueza.”
Para a psicóloga Isabella, a negação social do burnout ainda é um obstáculo.

“Infelizmente, muitos veem o esgotamento como ‘frescura’. Mas a verdade é que ele paralisa. Não é drama, é colapso. E o primeiro passo para a prevenção é a auto-observação: quando o cansaço vira constante e a vida perde o brilho, é hora de pedir ajuda.”

 

Joelma conclui com um apelo: 

 

“Que esta matéria abra olhos e ouvidos. Que mães e pais não desestruturem suas famílias em busca de um reconhecimento que nunca vem. O trabalho é importante, mas a vida é mais. Precisamos ser bons profissionais, sim, mas, antes disso, precisamos ser humanos.”

Cuidar da saúde mental é também um ato de resistência. No Dia do Trabalhador, que sejamos lembrados não apenas como força produtiva, mas como pessoas inteiras, com limites, com histórias e com direito ao descanso. Feliz dia do Trabalhador Feliz

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