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O que esperar da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 no Brasil?

Neste artigo você confere as principais promessas que a Confederação Brasileira de Futebol propôs à FIFA na hora de se candidatar à sede em 2027

Publicado em 22/08/2024 às 11h13 · Atualizado em 22/08/2024 às 11h39
O que esperar da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 no Brasil?
Foto: Divulgação

Quatro anos após concorrer como país sede da Copa do Mundo Feminina, o Brasil voltou ao páreo e desta vez saiu campeão. Quando tentou em 2020, retirou a sua candidatura com receio dos impactos econômicos que o evento teria em 2023. Aproveitando o seu capital político, apoiou a Colômbia, que acabou perdendo para Austrália e Nova Zelândia. 

Neste artigo você confere as principais promessas que a Confederação Brasileira de Futebol propôs à FIFA na hora de se candidatar à sede em 2027. Além disso, também entenderá os pontos que norteiam a concepção deste evento e tudo o que pode rolar.
 

 

Brasil e Copas do Mundo

 

 

Para além de ser o maior campeão de Copas do Mundo Masculinas, o Brasil também sediou dois destes eventos. 

No primeiro, em 1950, chegou na final e dentro de um Maracanã em plena ebulição perdeu para o Uruguai. Coisas do futebol… Em 2014, desta vez no Mineirão, tomou 7 gols da Alemanha, onde apenas conseguiu 1 gol como reação. Menos mal…

Apesar deste fatídico dia para o futebol nacional, toda a estrutura construída e projetada para a Copa do Mundo FIFA 2014, além do conhecimento técnico da gestão de mega eventos, segue gerando frutos. Seja no desenvolvimento de times locais, na proliferação e/ou profissionalização de eventos de grande porte ao redor do país.

Seguindo uma linha histórica, faz sentido que o Brasil busque ser sede da Copa do Mundo Feminina. O investimento em estrutura seria mínimo, visto que as arenas e estádios construídos ou reformados ainda estão atualizados e em ótimo estado. Além disso, há capital humano para organização e o retorno financeiro da Copa Feminina vive uma máxima histórica.

 

O que propõe o Brasil para 2027?

 

Na cartilha que enviou ao cômite da FIFA, que analisa as propostas de país sede para Copa do Mundo Feminina, o Brasil defendeu o seu peixe. Desta forma, elencou as vantagens que possui e se colocou como disposto a tornar uma potência ainda maior no futebol feminino.

 

Uma via para solucionar problemas históricos

 

O desavisado que assiste ao Futebol Feminino da Seleção Brasileira ou clássicos entre Corinthians e Ferroviária provavelmente não sabe que há 50 anos atrás as mulheres eram proibidas por lei de práticar o esporte no Brasil.

Sim, este direito foi retirado por Getúlio Vargas, em 1941, e só foi oficialmente instaurado no final da Ditadura Militar, em 1983. A justificativa? Jogar futebol poderia atrapalhar a missão da mulher na sociedade: ser mãe.

Num momento em que o Futebol Masculino luta por uma identidade, o Feminino mostra-se atento à sua história, origens e lutas políticas. Tanto que este grave erro histórico foi resgatado pelo Cômite da CBF e colocado a tona na apresentação que realizaram para FIFA.

Além de contar a vexaminosa história brasileira de opressão às mulheres, a CBF expôs um plano para aumentar a participação das mulheres no alto escalão do futebol nacional. Algumas das medidas: exigir programas de Futebol Feminino para os clubes das primeiras divisões do Futebol Masculino brasileiro; e suspender o calendário de jogos nacional no período da Copa.

Com essa justificativa central, o Brasil busca despedir-se desse momento terrível da sua história. Para isso, aproxima o ímpeto feminino e masculino por jogar o esporte bretão com o slogan “As Natural as Football”, ou, em tradução livre “Tão natural quanto Futebol”. 

 

A estrutura do evento

 

Um mega evento como a Copa do Mundo não se sustenta apenas com promessas de reparação histórica. Ele se estrutura a partir da viabilidade financeira, dispositivos esportivos disponíveis e de capital humano. Todos estes itens, estão detalhados na proposta feita à FIFA.

A CBF propôs que o evento acontecesse entre 24 de Junho a 25 de Julho de 2027. Neste período, dez cidades sediaraão os jogos:

● Belo Horizonte – Estádio Mineirão;
● Brasília – Estádio Mané Garrincha;
● Cuiabá – Arena Pantanal;
● Fortaleza – Arena Castelão;
● Manaus – Arena da Amazônia;
● Porto Alegre – Estádio Beira-Rio;
● Recife – Arena de Pernambuco;
● Rio de Janeiro – Estádio do Maracanã;
● Salvador – Arena Fonte Nova;
● São Paulo – Arena Corinthians;

Apesar de ser uma lista que contempla principalmente as arenas reformadas e com maior número de assentos, exclui cidades historicamente importantes para o futebol nacional.  Curitiba é um desses casos, estrategicamente posicionada entre São Paulo e Porto Alegre. Nesta Copa são privilegiados verdadeiros elefantes brancos, como a Arena Pernambuco, a 12 km de Recife.

Com o calendário de jogos suspenso por um mês, a ideia é que as atletas recebam atenção total da mídia brasileira e internacional. Mais que isso, poderiam utilizar as estruturas de treinamento dos clubes nacionais para se prepararem para competição e realizarem a concentração.

Estes fatores propiciam o intercâmbio de informação e experiências a nível internacional. É um momento muito oportuno para este tipo de situação, visto que os campeonatos brasileiros, assim como no resto do mundo, observam um aumento nos telespectadores e pagantes do Futebol Feminino. Assim, existe um aumento notório de patrocinadores de todos os nichos, principalmente os sites de apostas em futebol.

 

As finanças por trás da Copa de 2027

 

Por ter estrutura pronta e um plano traçado para receber os turistas (copiado e adaptado de 2014), a CBF estimou que os gastos em torno deste evento estariam na casa dos cem milhões de reais. 

A projeção é otimista, considerando os gastos excedentes que aconteceram em 2014. Todavia, o plano do Governo Federal é utilizar estes valores como investimento para aumentar e aprimorar a estrutura do Futebol Feminino no país.

Mesmo com essas projeções, se o raio cair duas vezes no mesmo galho, o Brasil pode contar com um faturamento de 570 milhões de dólares. Esses foram os valores que ocorreram em 2023, na Austrália e Nova Zelândia. Em cifras nacionais, uma injeção de quase dois bilhões e meio de reais na economia brasileira.

Sendo assim, o cenário econômico, político e financeiro se mostram muito favoráveis para a chegada deste evento. Para conseguir estragar esta oportunidade, a CBF teria que cometer erros gravíssimos, incompatíveis com o futebol internacional, cada vez mais profissional e corporativo.
 

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