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Opinião de A Crítica: Mais aporte em petróleo na Amazônia

Interesses geopolíticos e econômicos mantêm combustíveis fósseis no centro da matriz energética e colocam em risco a transição energética, inclusive na Amazônia

Publicado em 09/01/2026 às 09h15
Opinião de A Crítica: Mais aporte em petróleo na Amazônia

A investida dos Estados Unidos sobre o petróleo da Venezuela acentuou um fato inconveniente: apesar do consenso universal de que o mundo precisa abandonar o consumo de combustíveis fósseis para retardar o aquecimento do planeta, o petróleo continua sendo a principal fonte energética do mundo, ao lado do carvão, a ponto de mobilizar grandes potências interessadas em dominar tais recursos, mesmo que, para isso, seja preciso atropelar o direito internacional.

Enfrentamos uma situação complexa. Alternativas renováveis como a energia solar e a eólica vêm evoluindo a cada ano, mas, embora plenamente viáveis, é mais lucrativo investir em mercados já estabelecidos. Nesse confronto, petróleo e carvão sempre ganham. “Mas isso prejudica o planeta!”. O mercado não se importa. “Mas chegaremos a um ponto de não retorno que nos levará ao colapso!”. O mercado dá de ombros.

É por isso que a Petrobras acaba de anunciar investimentos pesados na exploração de petróleo na Amazônia, com perfuração de novos poços após mais de uma década. Além disso, é provável que a prospecção e a futura exploração de combustíveis fósseis na foz do Amazonas sigam a toque de caixa, na contramão de todo discurso pró-opções renováveis. A maior potência mundial, ao perceber a perda de protagonismo, está tentando recuperá-lo. Não se sabe se vai conseguir, mas seu esforço pode ter como consequência um retrocesso irremediável, ao retardar, e talvez até inviabilizar, a necessária transição energética.

Especialistas concordam que a transição energética não ocorrerá da noite para o dia. Mas, considerando o atual contexto mundial, o mais provável é que não aconteça nunca. Se formos esperar o petróleo acabar para tentar, finalmente, substituí-lo, poderá ser tarde demais. O fato é que o mundo não quer abandonar os combustíveis fósseis. Eles alimentam um sistema bastante sólido que mantém o status quo mundial. Mudança real depende de uma alteração radical de paradigma universal que talvez não aconteça.

Novos poços de petróleo na Amazônia podem ser extremamente positivos sob o aspecto econômico. Mas, e quanto aos outros aspectos?

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