Pacheco faz nova defesa das urnas eletrônicas em oposição a Bolsonaro
Embora não tenha citado o presidente da República, a fala é uma clara contraposição a Jair Bolsonaro
São Paulo – Durante o festival Expert XP, na tarde desta quinta-feira (4), o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, voltou a defender o sistema eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas. A fala ocorreu após ele ser questionado em uma palestra com investidores e empresários sobre a importância de ter feito essa defesa na abertura dos trabalhos do Congresso após o recesso, na última quarta-feira.
“Não podemos permitir afirmações sem lastro probatório questionando as eleições, exatamente no ano do bicentenário da independência. As eleições são a expressão soberana da vontade do povo, que escolherá pelas urnas eletrônicas sob a batuta da Justiça”, pontuou o senador.
Embora não tenha citado o presidente da República, a fala é uma clara contraposição a Jair Bolsonaro, que há pouco mais de um ano aprofundou uma campanha para tentar desacreditar o sistema eleitoral brasileiro pelo qual ele próprio foi eleito por seis mandatos. O ápice dessa investida deve ser o dia 7 de setembro, quando se comemora o Dia da Independência do Brasil. Bolsonaro e apoiadores planejam atos por todo o país.
Pacheco se posicionou sobre a data. “Tudo o que não precisamos no 7 de Setembro é que busquem violar a Constituição”, disse ele, chamando a atenção para o papel dos Três Poderes para a pacificação da data. “Espero que a sociedade brasileira possa ter as suas preferências eleitorais, suas manifestações. Mas espero que o Brasil também valorize [a data]”, acrescentou, ligando a data às eleições.
Após defender as urnas eletrônicas na quarta, Rodrigo Pacheco chegou a ser elogiado pelo atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin. Nesta quinta-feira, o ministro disse que “os anais da História inscreverão no futuro os nomes em uma das seguintes duas listas: os defensores da democracia, na qual de modo sobranceiro se inscreve o senhor presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco, e os cúmplices do populismo autoritário”.
Na terça-feira, Bolsonaro disse à rádio Guaíba, de Porto Alegre, que “ninguém quer dar golpe, vai ter eleição. Mas queremos transparência”, se referindo à pressão que ele e as Forças Armadas têm colocado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o Exército tenha maior influência sobre o pleito, como a realização de uma contagem paralela dos votos.