Manaus qua, 4 nov
A Crítica
Geral

Patricia Belletato debate arquitetura para envelhecer em casa

Com o aumento da população idosa e a baixa adaptação residencial, a especialista defende soluções que integrem desenho universal, segurança e autonomia

Publicado em 25/03/2026 às 11h49 · Atualizado em 26/08/2026 às 11h49
Patricia Belletato debate arquitetura para envelhecer em casa
Foto: Divulgação

O envelhecimento populacional está transformando a forma como governos e famílias discutem moradia. Nos Estados Unidos, apenas 10% das residências são consideradas preparadas para idosos, segundo o Urban Institute. Barreiras comuns, como escadas na entrada e banheiros inacessíveis, tornam-se obstáculos críticos à medida que a mobilidade diminui.

O desafio é também econômico. Dados do Harvard Joint Center for Housing Studies revelam que apenas 14% dos americanos acima de 75 anos que vivem sozinhos conseguem pagar por assistência domiciliar diária após as despesas de moradia. Diante disso, adaptar o imóvel existente tornou-se uma estratégia essencial de saúde e planejamento urbano.

É nesse campo que atua a arquiteta e urbanista Patricia Simone Bastos Belletato, especialista em arquitetura hospitalar, desenho universal e gerontecnologia. Com mais de 20 anos de experiência, ela utiliza o rigor técnico da área de saúde para criar ambientes que mitigam riscos de quedas e perda de autonomia.

“A discussão sobre envelhecimento em casa precisa superar a ideia de que acessibilidade se resume a intervenções pontuais. A arquitetura deve antecipar mudanças de longo prazo, transformando a moradia em um suporte para a independência, e não em uma barreira”, afirma Patricia.

O desenho universal e a gerontecnologia são os pilares dessa abordagem. Em vez de reformas improvisadas, Patricia defende espaços concebidos para acompanhar as fases da vida, integrando recursos como automação de iluminação e sensores de segurança à rotina dos moradores. A experiência hospitalar oferece referências fundamentais de fluxo e segurança, mas no ambiente doméstico o objetivo ganha uma camada emocional: preservar vínculos e hábitos no próprio lar.

A urgência dessas soluções é reforçada pelo crescimento do número de idosos “house poor” — aqueles que gastam mais de 30% da renda com habitação. Para Patricia, avaliações profissionais podem ajudar famílias a tomarem decisões preventivas antes que uma emergência médica force uma adaptação apressada.

Com essa diretriz, a arquiteta prepara a abertura da Belletato Aging in Place Consultancy, em Miami. A consultoria focará em avaliações de segurança residencial, planejamento de modificações e treinamento profissional, conectando arquitetura e prevenção para garantir que o envelhecimento ocorra com a máxima dignidade e segurança.

Leia também

Voltar para Geral