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Pesquisa da UFPA transforma rejeitos minerais em solução para limpar rios da Amazônia

Materiais desenvolvidos a partir de resíduos de vermiculita e manganês removem poluentes da água

Publicado em 16/08/2025 às 10h46
Pesquisa da UFPA transforma rejeitos minerais em solução para limpar rios da Amazônia
Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA

O que antes era apenas resíduo perigoso acumulado em barragens pode se transformar em tecnologia de ponta para limpar rios da Amazônia. Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) criaram dois materiais inovadores, feitos a partir de rejeitos da produção de vermiculita e manganês, capazes de remover metais pesados e corantes da água com até 100% de eficácia. A solução é local, barata e tem potencial para reduzir o passivo ambiental deixado por mineradoras na região.

A pesquisa é fruto de uma trajetória iniciada há mais de 20 anos pelo professor Dorsan dos Santos Moraes, do Instituto de Geociências da UFPA, que começou a investigar o aproveitamento de resíduos minerais ainda em 2004, quando assumiu como docente do curso de Engenharia de Minas em Marabá (PA).

“Observávamos na imprensa muitos problemas de contaminação em rios amazônicos. A partir daí, decidimos funcionalizar esses rejeitos para transformá-los em algo útil, dentro do conceito de ciência verde, que busca gerar a menor quantidade de resíduos possíveis”, explica o pesquisador em entrevista para a reportagem de A CRÍTICA.


Professor Dorsan Moraes e equipe de pesquisadores que fizeram parte do projeto (Foto: Divulgação)

 

O estudo trabalhou com dois rejeitos específicos: a vermiculita, já conhecida por sua capacidade natural de adsorção, e o resíduo de manganês da Mina do Azul, em Carajás (PA). Disso surgiram dois produtos — a vermiculita ativada com sódio, que remove corantes industriais como o azul de metileno com 99% de eficácia, e a fase tipo Shigaite LDH, capaz de eliminar metais pesados, como cromo e manganês, com 100% de eficiência.

Para Moraes, prevenir a contaminação é mais estratégico do que tentar recuperar um rio já degradado. “Quando o problema já está instalado, o rio contaminado é mais difícil e caro de remediar. Nossa proposta é transformar boa parte desse rejeito, que antes iria para as barragens, em produtos aproveitáveis e que ajudem a purificar a água antes que chegue aos rios”, afirmou o professor.

 

BENEFÍCIOS

 

Além do ganho ambiental, a tecnologia pode gerar benefícios sociais e econômicos. O professor acredita que a integração entre universidades, indústria e órgãos fiscalizadores é fundamental.

“Com o apoio de órgãos fiscalizadores e mediadores, poderíamos implantar a ideia em conjunto com a engenharia, gerando uma segurança a mais além das já aplicadas, que infelizmente não têm sido eficientes”, pontua Moraes.

Com informações da Agência Bori.

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