Petroleiras encorajam mulheres a assumirem postos de comando
Alcançar cargos de liderança em áreas que tradicionalmente eram dominadas apenas por homens. Esse é um desafio que Eline Silva, Mônica Marselha e Lidiane Santos alcançaram no mercado de combustíveis.
Alcançar cargos de liderança em áreas que tradicionalmente eram dominadas apenas por homens. Esse é um desafio que Eline Silva, Mônica Marselha e Lidiane Santos alcançaram no mercado de combustíveis. Colaboradoras da Atem Distribuidora, elas contam como chegaram lá e os desafios de liderar numa área estratégica e essencial para o funcionamento da cidade.
Há 14 anos na Atem, a Diretora de Suprimentos, Operações e Logística, Eline Silva, conta que é responsável por uma área sensível, com desafios diários, o que a faz muitas vezes tomar decisões que não agradam a todos, mas que são necessárias para resguardar o resultado e a perpetuidade da empresa. “Suprimentos, Operações e Logística são áreas fundamentais para o desenvolvimento do negócio e o andamento das operações. A área como um todo exige da equipe maior senioridade, disciplina e alta capacitação técnica, dedicação integral (dia e noite, 7 dias por semana), dada a dinâmica do negócio easensibilidade de segurança operacional”, explica.
ão estratégica, ela afirma acreditar muito na liderança feminina, por ser mais flexível e ter como ponto mais forteasensibilidade para promover mudanças no grupo. “Penso que a mulher tenha uma visão mais ampla para trabalhar com as diferentes atividades e se adequa mais rá- pido às múltiplas propostas de trabalho. E contar com esse di- ferencial traz para a empresa um ganho muito significativo, deixando a empresa mais com- petitiva”, afirma.
HABILIDADES
As habilidades das mulheres em cargos de chefia são inques- tionáveis, mas a sociedade ain- da precisa avançar em termos de igualdade de gênero. Apesar de mais instruídas, um estudo divulgado em 2021, pelo Institu- to Brasileiro de GeografiaeEs- tatísticas (IBGE), mostrou que as mulheres ocupavam 37,4% dos cargos gerenciais e rece- biam 77,7% do rendimento dos homens. A pesquisa mostrou ainda que a vida profissional das mulheres é mais impactada do que a dos homens, no que diz respeito a afazeres domésticos e filhos.
Eline comenta que percebe as mulheres 100% preparadas tecnicamente para competir de forma igual com os homens, do ponto de vista de equilíbrio. Po- rém, é como se as mulheres ti- vessem que provar diariamente essa competência. “Ainda hoje temos uma ‘luta’ para provar que podemos equilibrar a vida de mãe e esposa com a de profis- sional numa cultura ainda mui- to patriarcal. Nosso desafio é se provar diariamente nas funções em que estamos desenvolven- do”, comentou Eline.
‘Antes somente homens faziam…’
Essa necessidade de provar competência é ainda mais forte em ambientes profissionais com maior presença masculina. É o que observa a engenheira civil Mônica Marselha, atualmente no cargo de supervisora operacional da Atem. “As empresas que hoje agregam mulheres em funções que antes eram somente de homens, estão elevando o seu nível, pois mostram que as mulheres são capazes de desenvolver uma atividade, que antes era vista como 100% masculina, com tanta qualidade quanto um homem. A mulher é estrategista, não tem a força física do homem, mas tem habilidades que a levam ao sucesso”, afirma Mônica.
Entre essas habilidades, Mônica cita algumas como as mulheres serem mais minuciosas, observadoras, carismáticas em relação a sua equipe. “Ela desenvolve com melhor qualidade o interpessoal, pois tende a se colocar mais no lugar do outro e com toda essa mudança nos perfis de RH, eu acredito que a mulher está na frente mil anos. Não é pelo fato de termos empatia e sabermos lidar com o outro que somos fracas, pelo contrário, somos fortes”, destacou.
Prestes a completar 13 anos na distribuidora, a coordenadora de Segurança Portuária, Lidiane Santos, lembra ainda que o desafio para a liderança feminina no mercado de trabalho é contrapor a suposta falta de ambição e evitar outras ocorrências que, infelizmente, são comuns em ambientes de trabalho tóxicos, como comentários passivo-agressivos, agressões veladas, desprezo pela capacidade intelectual, assédio sexual e moral, medo de demissão por gravidez, falta de oportunidade, questionamentos sobre inteligência emocional e a falta de exemplos a serem seguidos dentro das organizações.
Com a missão de coordenar os portos Atem, buscando sempre executar inspeções e assegurar a elaboração dos planos de segurança portuária, ela afirma que, apesar dos desafios enfrentados, mulheres são poderosas e podem sempre alcançar o que desejam. “Uma mulher tem o poder de ser tudo aquilo que quiser, basta que lute por isso. E todos sabemos que quando uma mulher coloca uma ideia na cabeça sua força para concretizá-la é maior que todo poder do universo”, frisou.