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Pioneiro da indústria no Amazonas completa 100 anos hoje

Empresário Mário Guerreiro fundou a Brasiljuta, o hotel Amazonas e o Cieam, administrou o Bea e atuou na direção da ACA e da Fieam

Publicado em 08/10/2020 às 15h58 · Atualizado em 09/03/2022 às 20h04
Pioneiro da indústria no Amazonas completa 100 anos hoje

Um dos pioneiros da industrialização do Amazonas, o empresário Mário Guerreiro, responsável pela instalação de empreendimentos inovadores na economia amazonense a partir da metade do século XX, como a criação da Brasiljuta e do Hotel Amazonas, comemora 100 anos de vida nesta quinta-feira.

Mário Guerreiro fundou o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM) no início da década de 1980, além de ter presidido o Banco do Amazonas (BEA), na época em que os estados possuíam bancos próprios.

Associação PanAmazônia

Ao lado de Phelippe Daou, Mário Guerreiro foi o primeiro empresário a apoiar fortemente a Associação PanAmazônia quando foi criada em 2010. Na época da sua criação, possuía apenas esses dois empresários e atualmente conta com 250 empresários de sucesso em vários segmentos.

Para marcar o apoio do empresário à criação da Pan Amazônia, a Associação realizou no início do ano a exposição “Grandes Empreendedores da Amazônia” que contou a história de empresários que contribuíram para o desenvolvimento econômico e social da região.

A PanAmazônia é uma organização não governamental, com sede em Manaus, com a missão de promover o ideal da integração e cooperação pan-amazônicas como instrumento para o desenvolvimento regional. A associação tem conselheiros em alguns estado do norte e em países do extremo norte da América do Sul, como Colômbia e Venezuela.

O Diretor Executivo da Pan-Amazônica, Belisário Arce, explicou que a exposição é também uma homenagem a Mário Guerreiro, que hoje completa 100 anos de idade. “Ele contribuiu imensamente com o estado do Amazonas e merece todas as homenagens”, reforçou.

Mário Guerreiro fundou o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM) no início da década de 1980, além de ter presidido o Banco do Amazonas (BEA), na época em que os estados possuíam bancos próprios. Participou da criação da única refinaria de Manaus, Isaac Sabbá.

Também presidiu a Associação Comercial do Amazonas (ACA) por duas vezes. Participou por vários ocasiões de cargos na direção da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).

Representantes da indústria do Amazonas marcaram a data e destacaram os esforços de Mário Guerreiro em modernizar a matriz econômica do estado. O presidente do Cieam, Wilson Périco, disse que Mário Guerreiro representa as raízes históricas da indústria amazonense, “desde época anteriores ao atual programa Zona Franca de Manaus”.

“Dr. Mário é um ícone da vitalidade, determinação e comprometimento cívico. Sua presença entre nós é e será nossa referência da batalha cotidiana que se personifica na celebração de seus cem anos de idade. Um cidadão e um guerreiro da cidadania, com visão atenta, não apenas nos destinos de nossa economia, mas sobretudo no desenvolvimento do Estado e no benefício de nossa gente”, destacou Périco.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva lembrou que Mário Guerreiro foi pioneiro na industrialização das fibras de juta e malva na Amazônia, ao fundar em 1951, juntamente com o empresário Adalberto Valle, “a Brasiljuta, grande geradora de empregos no estado na época, além de atuar no setor de hotelaria ao executar o projeto do Hotel Amazonas, o melhor hotel de Manaus por décadas”.

Trajetória

Mário Expedito Neves Guerreiro nasceu em Manaus no dia 08 de outubro de 1920. Perdeu o pai quando ainda tinha 10 anos de idade, terminou de ser criado pela sua mãe e tia.

Nos estudos, iniciou sua formação no “Grupo Escolar Barão do Rio Branco”, e terminou a escola secundária no “Ginásio Estadual Dom Pedro II”. Foi líder militante do Grêmio Estudantil Plácido Serrano. Mudou-se para Belém, onde concluiu o colegial no “Colégio Paes de Carvalho”.

Em 1943, aos 23 anos de idade, serviu pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) como pracinha na Itália colaborando com o esforço de guerra do Brasil contra o nazifasicmo que asolava a Europa no início da década de 1940.

Ao regressar ao Brasil em 1945, retornou às atividades na Prudência Capitalização e chegou ao cargo de vice-diretor da matriz em São Paulo. Em 1951, retornou a Manaus para assumir o cargo de Diretor Superintendente do Hotel Amazonas, cargo que exerceu até 1954, quando fundou a Companhia Brasileira de Fiação e Tecelagem de Juta – a BRASILJUTA, num movimento de pioneirismo na história da Indústria na Amazônia.

Uma das filhas de Mário Guerreiro, que possui oito filhos, Ana Guerreiro, a mais nova, conta que o pai sempre levou uma “vida de muito trabalho” rodeada de “dedicação” e “disciplina”. Ela narra que Mário Guerreiro sempre foi um homem “muito centrado” que procurava fazer as coisas da maneira “mais correta e mais competente possível”.

Ativo

Apesar do centenário, o empresário manauara segue em plena atividade nos negócios. Conforme Ana Guerreiro, Guerreiro administra uma empresa que cuida dos seus imóveis.

“Ele sempre participou muito ativamente dos negócios com os filhos, sempre foi um conselheiro, muito ativo em todo os negócios, principalmente dos meus irmãos”, revelou a professora universitária.

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