PIX começa a operar em fase restrita nesta terça (3)
Durante este período, segundo o calendário do BC, mais usuários terão a função liberada gradativamente, até o dia 16 de novembro
As operações do Pagamento Instantâneo Brasileiro, o PIX, já estão disponíveis para alguns clientes das 762 instituições aprovadas pelo Banco Central (BC) para disponibilizar o serviço aos seus correntistas. A modalidade de pagamento ainda está em fase de operação restrita que iniciou hoje (03) e deve seguir até o dia 15 de novembro.
Durante este período, segundo o calendário do BC, mais usuários terão a função liberada gradativamente, até o dia 16 de novembro, quando todas as pessoas e empresas interessadas no serviço, que possuem uma conta corrente poderam realizar transferências na nova modalidade.
A novidade é aguardada por cidadãos como o educador físico, Bruno Danilo Silva, que cadastrou as quatro chaves de acesso – e-mail, CPF, telefone e chave aleatória (combinação números gerada pelo BC) – em diferentes instituições bancárias para aproveitar todas as facilidades do novo pagamento instantâneo.
“Eu espero poder fazer uma transação a qualquer momento, sem precisar estar enviando comprovante, porque o dinheiro vai cair na hora”, aponta.
Os cadastros das chaves de acesso para utilização do PIX, estão sendo disponibilizados pelas instituições bancárias desde 5 de outubro. Com os dados será possível transferir valores pelo aplicativo do celular de maneira instantânea em até 10 segundos, 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Bastam poucos cliques
O economista Bruno Renne, explica que a principal mudança prática com o PIX, será, justamente, a facilidade para realizar uma transação. Agora, não é necessário que o depositante tenha todos os dados bancários do destinatário e com poucos cliques os pagamentos serão feitos, algo que antes poderia levar dias para ocorrer, por conta dos horários de funcionamento dos bancos.
O custo zero para as transferências também são um ponto destacado pelo especialista, pois não serão cobradas taxas como ocorre nos boletos, débito ou TED, por exemplo.
“Ele [o PIX] vai conseguir diminuir o dinheiro [físico] em circulação, porque vai dar uma facilidade maior para efetivar os pagamentos e também vai diminuir os boletos bancários porque o sistema PIX via QR Code dinâmico, é mais barato e tem uma facilidade maior de utilização do que o boleto tradicional”, esclarece Renne.
A mudança nas modalidades de pagamento terão impacto direto na democratização dos serviços bancários, com concorrência acirrada entre os bancos digitais e tradicionais. Segundo o diretor de inovação da empresa especializada em inovações bancárias Matera, Alexandre Pinto, os bancos tradicionais e empresas que operam máquinas de cartão devem perder R$ 13 bilhões em arrecadação de taxas. Já o dinheiro físico deve ter uma baixa de 50% na circulação em 10 anos.
“Do nosso lado não muda, mas no lado do lojista muda muito, porque o lojista paga caro para receber no cartao de debito, em torno de 1%. Eu acredito que o varejo vai estimular muito o uso do PIX para substituir o cartão de débito”, destaca.
A digitalização do sistema bancário brasileiro faz parte agenda do BC que além do PIX também institui o open banking. Com essas alterações digitais o Brasil deve reduzir a circulação de moedas físicas assim como ocorre em pelo menos 50 países dentre eles a China e o Reino Unido.