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PL marca nova data para filiação de Bolsonaro

Após marcar filiação para esta terça (22), partido pivô do escândalo do mensalão deu uma nova data para entrada de Bolsonaro: dia 30 de novembro

Publicado em 23/11/2021 às 23h49 · Atualizado em 08/03/2022 às 21h10
PL marca nova data para filiação de Bolsonaro
Foto: AFP

Após incertezas sobre o ‘casamento’ entre o presidente Jair Bolsonaro e o Partido Liberal, a sigla anunciou que o chefe do Executivo deve ingressar oficialmente no partido no próximo dia 30. O PL pertence ao empresário e político Valdemar Costa Neto, condenado e preso no escândalo do Mensalão, que abalou o governo do ex-presidente Lula, em 2005.

Segundo nota oficial do partido, a filiação do presidente ocorrerá às 10h30 no complexo comercial Brasil 21, em Brasília (DF). A data foi definida após Valdemar Costa Neto e Bolsonaro se reunirem no dia 23, para afinar os detalhes da nova relação.

Costa Neto é o atual aliado do presidente da República para as eleições de 2022, mas nem sempre foi assim. Em 2018, quando foi associado ao político condenado, Bolsonaro fez questão de mostrar afastamento entre ambos.

“A QUE PONTO CHEGARÃO? Primeiro a imprensa mente ao publicar que estive com Waldemar [sic] da Costa na semana passada. Agora diz que aceno para corruptos e condenados. É a velha imprensa de sempre, não sabem fazer outra coisa a não ser mentir e mentir”, escreveu Bolsonaro no Twitter, quando ainda era pré-candidato à presidência.

Tapas e beijos

O anúncio de filiação ocorre após idas e vindas no namoro de Bolsonaro e o Partido Liberal. Inicialmente o ingresso do presidente na sigla seria no dia 22 deste mês, porém, o próprio PL divulgou nota dias antes para anunciar que o casamento estava adiado.

Segundo o partido, a desistência da filiação havia ocorrido após Valdemar Costa neto ter tido “intensa troca de mensagens na madrugada deste domingo, 14, com o presidente Jair Bolsonaro”.

No dia seguinte, o presidente do Executivo disse em Dubai que continuava o contato com o PL, mas que o adiamento havia sido necessário tendo em vista as negociações. Bolsonaro quer ter carta-branca para indicar candidatos a governo nos estados de São Paulo, Bahia, Pernambuco e Piauí, inicialmente.

“O casamento tem que ser perfeito. Se não for 100%, que seja 99%. Se até lá nós afinarmos pode ser, mas eu acho difícil essa data, 22. Tenho conversado com ele [Valdemar], estamos de comum acordo que podemos atrasar um pouco esse casamento, para que ele não comece sendo muito igual aos outros”, disse o presidente, à época.

Mensalão

Em 2005, o governo Lula foi acusado de pagar um ‘salário’ de R$ 30 mil para deputados federais que votassem em projetos favoráveis ao governo. A denúncia partiu do então deputado Roberto Jefferson, presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que também participou do esquema. Segundo ele, parlamentares do Partido Liberal e Partido Progressistas recebiam a mesada e o mesmo valor havia sido oferecido ao PTB.

“Um pouco antes de o Martinez (José Carlos Martinez, presidente do PTB morto em 2003 num acidente aéreo) morrer, ele me procurou e disse: ‘Roberto, o Delúbio [tesoureiro do PT] está fazendo um esquema de mesada, um mensalão, para os parlamentares da base. O PP, o PL, e quer que o PTB também receba. R$ 30 mil para cada deputado. O que você me diz disso?'”, contou Roberto Jefferson em entrevista à coluna Painel, da Folha.

Foi o presidente do PTB que mencionou o nome de Valdemar Costa Neto, que figurou depois entre os denunciados pela Procuradoria-Geral da República no caso e acabou sendo condenado a sete anos e 10 meses de prisão, além de pagamento de multa de R$ 1,6 milhão.

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