Populações do Amazonas pedem mais atenção
O limite desse afastamento deveria ser observado, em especial nos Estados que convivem com questões graves
Em meio a situações de dificuldades acentu das de diferentes segmentos sociais no Estado do Amazonas, o que se tem sido destacado é o movimento extraestado feito por
gestores públicos do primeiro escalão não para tratar dos problemas da sociedade local e sim do futuro político pós término de mandatos.
É uma atitude recorrente quando se avalia o histórico de líderes políticos em períodos
anteriores as eleições. Tornou-se parte da cultura politica na maioria dos países do Ocidente e, com vigor latente, no Brasil. Nessa direção, poder-se-ia dizer que tudo bem, as coisas da política caminham assim e, ao fazê-lo, geram acomodações e reações.
O limite desse afastamento deveria ser observado, em especial nos Estados que convivem com questões graves. O Amazonas é um deles. É preciso aumentar a lente para as condições de vida das populações dos demais 61 municípios, na maioria deles os moradores enfrenam situações de quase miséria, manutenção da pobreza, e avanço da violência fazendo-os reféns de outras organizações, estas representando ou vinculadas a grupos de narcotraficantes.
Ataques, espancamentos e mortes se tornaram frequentes e não há resposta célere para atender as súplicas desses moradores. A sensação experimentada por essas famílias é de abandono e de ações que arrastam os atos criminosos cometidos para o esquecimento enquanto outras ameaças vão se concretizando e encurralando as populações. Falta
ação governamental efetiva e, quando se aciona o rol das políticas públicas, este de revela precarizado, incapaz de atender em nível mínimo os direitos fundamentais desse universo de pessoas, idosos, adultos, jovens, crianças. São pequenos agricultores, povos indígenas, pescadores, coletadores.
Permanece a frágil presença do ente estado mantida por arranjos que tentam, na divisão de polos, em alguma medida assegurar a ideia de que os órgãos representantes desse estado se fazem presentes. O resultado é que nas cidades do interior do Amazonas, nas comunidades mais profundas, o que está presente mesmo e com nível de organização eficiente, são os grupos que atuam criminosamente. Ocupam e determinam os códigos de vida nesses lugares. Governantes deveriam gastar tempo e energia, além de interesses mais particulares, na busca ativa de respostas para enfrentar essa situação.
Pesquisadores têm revelado em vários estudos o quanto o mercado da violência tomou conta da Amazônia e, no Amazonas, os agentes desses mercados atuam com facilidade e são cada vez mais poderosos. Fazem isso pela ausência e ou frágil do Estado.