Manaus dom, 18 out
A Crítica
Geral

Preço dos serviços dos Correios pode aumentar, alerta sindicato

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Amazonas (Sintect-AM) diz que inclusão dos Correios no Programa Nacional de Desestatização (PND) vai prejudicar trabalhadores e a população

Publicado em 14/04/2021 às 17h19 · Atualizado em 09/03/2022 às 08h46
Preço dos serviços dos Correios pode aumentar, alerta sindicato
Foto: Arquivo A CRÍTICA''

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Amazonas (Sintect-AM), Luís Ribeiro de Almeida, afirmou que a inclusão dos Correios no Programa Nacional de Desestatização (PND), publicado hoje no Diário Oficial da União (DOU), vai prejudicar a integração do interior do Amazonas, aumentando o preço de serviços de entrega, em prol de empresas privadas, que querem apenas firmar as operações no “filé mignon”, em referência a Manaus.

“A gente hoje já vê pela própria Fedex e a DHL quando vão entregar numa capital, eles querem o que a gente chama de filé mignon, a área do Sedex. Eles não vão estar preocupados com a periferia da cidade, onde o carteiro vai lá no lugar mais longínquo. Vai estar preocupado com cidade do interior aqui como Anamã, Boa Vista do Ramos, Parintins, cidadezinha do interior onde estamos dando assistência? São essas cidades, caso o Correio seja privatizado, que vão ser prejudicadas”, criticou.

Segundo Luís Ribeiro, a privatização dos Correios vai desempregar cerca de 930 funcionários da estatal, desde carteiros até funcionários de logística empregados no setor de encomendas no aeroporto de Manaus.

“Desde 2011 que não temos concurso público e fora os programas de demissão voluntária que provocam uma sobrecarga de trabalho em cima dos companheiros carteiros que atuam em toda área da empresa no atendimento”, destacou.

O sindicato tem alguns outdoors espalhados pela cidade sinalizando o “mal para a sociedade” causado pela privatização dos Correios. O Sintect-AM enfatizou que a linha do sindicato é totalmente contra a privatização, porque além de gerar desemprego, vai prejudicar os mais pobres.

“Os Correios prestam um serviço de suma importância para a sociedade, seja na entrega de remédios, seja na entrega de livros. Moramos numa região onde é fundamental os Correios para integrar a sociedade”, salientou o sindicalista.

De acordo com a Agência Brasil, a equipe do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) concluiu os primeiros estudos que analisaram modelos de desestatização do mercado postal em outros países e recomendou a empresa para o PND, optando pela venda total da empresa, em vez do fatiamento, que poderá ser a venda majoritária (em que o Estado continua como acionista minoritário) ou venda de 100% das ações.

A segunda fase dos estudos será implementada ao longo deste ano pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e detalhará o modelo a ser adotado para a desestatização do setor postal. O governo não apresentou cronograma, mas estão previstos debates com a sociedade, com investidores e com empregados e a aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A venda dos Correios depende da aprovação, pelo Congresso Nacional, do projeto de lei (PL) que quebra o monopólio estatal e regulamenta a abertura do mercado postal à iniciativa privada. Como argumento para a privatização, o governo alega que o desenvolvimento adequado dos serviços postais brasileiros demanda um patamar de investimentos que o setor público não consegue prover.

Leia também

Voltar para Geral