Príncipe Harry ataca tabloides no segundo dia de julgamento histórico
Foi a primeira declaração à Justiça de um membro da família real britânica desde Edward VII, que compareceu a um tribunal por um processo por difamação em 1891
O príncipe Harry criticou nesta quarta-feira (7) um grupo de tabloides que ele acusa de “hackeamento telefônico” em “escala industrial” para obter informações ilegalmente, como parte de seu depoimento histórico à Justiça britânica.
O filho mais novo do rei Charles III, 38 anos, já havia testemunhado na véspera por cinco horas na Alta Corte de Londres, onde o Mirror Group Newspapers (MGN) é julgado desde 10 de maio.
Foi a primeira declaração à Justiça de um membro da família real britânica desde Edward VII, que compareceu a um tribunal por um processo por difamação em 1891, antes de se tornar rei.
Harry, dois atores de televisão e a ex-esposa de um comediante acusam a MGN, editora do jornal Mirror e da revista Sunday People, entre outros veículos, de obter informações sobre eles entre 1996 e 2011 por meio de métodos ilegais, que incluem a interceptação de mensagens em suas caixas postais.
No início de seu depoimento nesta quarta-feira, ao responder as perguntas de Andrew Green, advogado do grupo editorial, o duque de Sussex garantiu que “o hackeamento telefônico ocorreu em escala industrial em pelo menos três jornais na época e isso está fora de qualquer dúvida”.
Se o tribunal não aceitar, “seria uma injustiça”, disse ele.
Clive Goodman, jornalista do jornal News of the World – que não é propriedade da MGN – e o detetive particular Glenn Mulcaire foram presos, julgados e condenados em 2007 a vários meses de prisão por hackear os telefones de Harry e de seu irmão mais velho William, agora herdeiro do trono britânico.
-“Sangue” em suas mãos –
“Quanto mais sangue vai manchar os dedos com que escrevem antes que alguém acabe com essa loucura?” questionou o príncipe que vive na Califórnia desde 2020 com sua esposa, a atriz americana Meghan Markle, em sua declaração por escrito na véspera.
O casal citou a pressão insuportável da mídia sensacionalista britânica e os ataques racistas à atriz, entre os motivos para deixar o Reino Unido.
Harry, que desde então mantém relações muito tensas com a família real, disse temer que acontecesse com sua esposa algo parecido com o acidente de trânsito em 1997, no qual sua mãe, a princesa Diana, morreu enquanto era perseguida por paparazzi em Paris.