Procurador detalha esquema do Mensalão
Em suas acusações , o procurador-geral da república Roberto Gurgel, narrou como era elaborado o esquema do Mensalão, citando as atuações do deputado federal João Paulo Cunha (PT); empresário Marcos Valério e José Dirceu (PT)
No segundo dia de exposição do julgamento do Mensalão, o Procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fez todo um relato de acusação detalhando o interrelacionamento entre os envolvidos e como era realizado o esquema de corrupção do Mensalão considerado por ele como uma “sofisticada organização criminosa com o objetivo espúrio de comprar voto de parlamentares”,.
Entre os primeiros nomes surgidos na leitura acusatória está o do deputado federal Jõao Paulo Cunha (PT-SP) que desviou, em 2004, R$ 252 mil da Câmara dos Deputados, a qual presidia na época.
O procurador disse que este desvio aconteceu por meio de um contrato da Câmara com a empresa SMP&B, do publicitário Marcos Valério, que também está no grupo dos réus e citou que o estreito relacionamento de Marcos Valério e João Paulo Cunha.
O procurador apontou ainda os R$4,54 milhões que o PTB recebeu do PT por meio da empresa do publicitário.
Estratégias dos saques
O procurador expôs que valores altíssimos eram sacados às vésperas de votações de projetos importantes no Congresso Nacional durante o primeiro mandato. Dinheiro que , segundo o procurador servia para a compra de voto dos parlamentares da base aliada.
O procurador discorreu também que dez dias antes ou depois de uma votação relevante havia movimentação de vultosos valores em espécie. Esse detalhe segundo ele, foi provado na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito). De acordo com Gurgel, o dinheiro era sacado das contas das agências do publicitário Marcos Valério e repassado a partidos da base aliada
José Dirceu
Em suas acusações o procurador disse que José Dirceu foi a principal figura do esquema, o mentor, protagoanista e idealizador do sistema ilícito. Gurgel leu Trecho do depoimento de Marcos Valério em que este acusa: “Dirceu sabia das operações feitas para financiar os acordos políticos” e que “nada, absolutamente nada, acontecia sem a prévia autorização de Dirceu”.
* Com informações do Uol