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A Crítica
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Reformular o Plano Diretor seria presente para cidade, diz ex-reitora da UEA

Professora acredita que, com a atualização da lei, os serviços serão oferecidos para o cidadão serão decentes

Publicado em 24/10/2020 às 13h47 · Atualizado em 09/03/2022 às 19h44
Reformular o Plano Diretor seria presente para cidade, diz ex-reitora da UEA
Foto: (Fotos: Divulgação)

Ela é professora universitária e uma das peças importantes para manter viva a história de Manaus. Marilene Corrêa mora em Manaus desde os 14 anos e a paixão pela capital só cresceu desde então.

E aqui nas terras barés ela foi construindo sua história e ao mesmo tempo trabalhando com a memória da cidade e o pensamento social sobre a Amazônia, compreendo o processo de mudanças sociais.

O presente que Marilene gostaria de dar a Manaus seria uma reformulação do Plano Diretor da cidade, a institucionalização da preocupação com a memória histórica e a humanização da capital amazonense.

Hoje, segundo ela, que já foi presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, a cidade foi apropriada por interesses que não são dos cidadãos. “Tem pessoas que não pagam impostos e fazem da cidade uma lixeira. Tem pessoas que pagam impostos e fazem a cidade como elas querem”, apontou.

A ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) reforça ainda que fatores como a urbanização precária prejudique, hoje, a beleza de uma cidade reconhecida pelas construções urbanísticas da “Belle Époque”, e a falta desse cuidado com a memória “transforma a cidade em um retrato de periferia do mundo, e esse é o problema maior”.

“É uma cidade sem esgoto, uma cidade que não tem um metrô, que tem um trânsito caótico, uma cidade que tem um abastecimento precário e caro. Enfim, uma cidade que não potencializa a grande mão de obra que ela tem”, criticou Marilene, que é doutora em sociologia e trabalha na formação de recursos humanos avançados em nível de graduação em mestrado e doutorado.

Bem-estarEla reforça que Manaus possui uma mão de obra educada e uma população acadêmica respeitável e indica que boa parte da população possui ao menos o segundo grau incompleto, além de contar com diversos veículos de comunicação, mas isso não reflete na educação urbana e no dia a dia da cidade.

O presente ofertado por ela à cidade refletiria imediatamente no bem-estar das pessoas. “Por exemplo, uma reforma no plano diretor obrigaria as empresas de transportes a oferecerem um transporte decente para as pessoas que dependem transporte coletivo todos os dias”.

Marilene Corrêa deseja também a regulação do mercado urbano. “As pessoas não podem fazer de Manaus um mercado de rua em todos os lugares”, ressaltou, sobre o trabalho informal nas ruas comerciais e do Centro Histórico.

“Manaus poderia mudar muito somente com a simples medida de planejamento urbano da cidade e o cumprimento dessa reforma. Porque hoje ninguém cumpre esse planejamento urbano. Esse seria um grande presente para a cidade”, finalizou a pesquisadora, que também é membro da Academia Amazonense de Letras.

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