Seca 2024: dragagem dos rios é aguardada até agosto para ser efetiva
A data é considerada o limite para que a obra seja efetiva como prevenção aos efeitos da seca aguardada para o segundo semestre.
Um dos maiores operadores de cargas do Amazonas, o Super Terminais aguarda o início da dragagem (escavação) dos rios amazônicos até 15 de agosto. Já há uma percepção de que o serviço poderia ter começado antes e a data é considerada o limite para que a obra seja efetiva como prevenção aos efeitos da seca aguardada para o segundo semestre.
“Ano passado, a dragagem começou em 28 de outubro e depois de 45 dias os navios entraram não por causa da dragagem, mas da subida do rio. Creio que, por causa da emergencialidade de 2023, eles não conseguiram calcular a quantidade de sedimentos assoreados naquela época, para determinar qual equipamento seria melhor utilizar”, avalia o diretor do Super Terminais, Marcello Di Gregório.
A empresa anunciou, nesta semana, a Operação Itacoatiara, que deve ser executada caso a dragagem não inicie até 15 de agosto. O plano consiste em instalar um píer flutuante ao lado da margem esquerda do rio Amazonas, em Itacoatiara (AM), para fazer o transbordo (transferência) das cargas dos navios para balsas, permitindo a chegada dos contêineres até Manaus.
A estrutura contará com três guindastes, empilhadeiras, plataformas elevatórias e outros equipamentos similares O serviço ficará ativo todos os dias, em todos os turnos. O investimento total é de cerca de R$ 45 milhões.
Segundo semestre
À reportagem, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que está em andamento o processo para contratação da empresa que realizará a execução e supervisão do Plano de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA) e do Plano de Sinalização Náutica em trechos, como o rio Amazonas (de Manaus a Itacoatiara) e o rio Solimões (de Coari a Codajás, Tabatinga a Benjamin Constant, e Benjamin Constant a São Paulo de Olivença).
“O processo está aguardando emissão de Licença Ambiental, para divulgação do Edital de Contratação. Será realizada licitação na modalidade Pregão. A previsão de início dos serviços é para o segundo semestre de 2024”, diz a nota.
Concessão
Di Gregório avalia que a concessão do rio Madeira, anunciada pelo governo federal, pode ser uma das soluções para as dificuldades enfrentadas pela navegação. Embora o rio seja chamado por alguns de ‘hidrovia’, há uma série de requisitos ausentes, como sinalização e batimetria (medição da profundidade).
O edital de concessão do rio está previsto para ser publicado em dezembro. Ainda é incerto se a região do Tabocal e da Foz do Madeira, por onde passam os navios com cargas que chegam a Manaus, será incluída. O diretor do Super Terminais diz que essa promessa já foi feita.
“Existe um pedido para essa inclusão e já há uma promessa de que o Tabocal e a Foz do Madeira estarão incluídas no edital. Isso vai ser perfeito para a gente, vai nos ajudar muito. Eles vão abrir audiência pública no início do segundo semestre para ouvir, principalmente, o pessoal de navegação fluvial, os balseiros que fazem o transporte no Madeira e, em dezembro, devem publicar o edital para, em 2025, alguém ganhar e fazer a dragagem”, afirma Marcelo.
Um contraponto à concessão é o fato de que a navegação no rio ficará sujeita a pedágios. Para o diretor do Super Terminais, isso não será um problema se a empresa que adquirir os direitos de atuação cumprir com o que for determinado em contrato.
“Se for prestado um bom serviço, esse pedágio será muito bem pago. Agora, claro, é preciso saber o preço. Se vão cobrar US$ 1 por tonelada, US$ 2, ou até R$ 1, R$ 2. Mas se prestar um bom serviço, assim como uma rodovia, se tiver sinalização, canal de navegação, balizamento, segurança, não vejo problema. Não adianta é fazer a cobrança e não entregar serviço”, diz.