Seca extrema atrapalha ação de garimpeiros ilegais no Amazonas
Informação é da Polícia Federal
A seca histórica dos rios também está afetando a extração ilegal de minérios no Amazonas. É o que apontou a Polícia Federal do Amazonas durante a divulgação do balanço da nova fase da Operação Draga Zero. A coletiva de imprensa foi realizada na manhã desta sexta-feira (6), na sede da superintendência da PF-AM, na avenida Domingos Jorge Velho, Dom Pedro, Zona Oeste da capital.

Coletiva de imprensa na Polícia Federal (Foto: Junio Matos)
Segundo o chefe da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, delegado Adriano Sombra, a ação da PF destruiu nove dragas que estavam na região metropolitana de Manaus na última quinta-feira (5).
O delegado da PF-AM destacou que a presença de dragas de garimpo ilegal nesses lugares inéditos estão sendo influenciadas por dois motivos: o aumento do combate de operações e a seca extrema do Amazonas.
“A seca influencia a vinda dessas dragas e inclusive não tinha como fazer a remoção destas dragas por conta de o rio estar muito seco e para movimentá-las seria difícil, correndo o risco de encalhar. Se tentássemos fazer alguma locomoção iria prejudicar os meios de transporte de embarcações”, destacou o delegado.
“Os donos quando a gente chega eles fogem. Eles sempre deixam uma pessoa que geralmente é o vigia. E essas pessoas através de entrevistas foram bem enfáticas ao falar que todas as dragas vieram das regiões do Japurá, Jutaí, Madeira. Esses locais receberam ações recentes da PF. Vimos recentemente também uma operação de dragas chegando em Tapuá, um lugar que não tem histórico de dragas atuando. Eles estão buscando novas áreas, o crime se reinventa. É por isso que precisamos atuar nessas novas regiões”, pontuou Sombra.
Grave risco à saúde humana
Outro ponto abordado durante o balanço da operação foi o alto índice de contaminação por mercúrio nestas regiões. Segundo o chefe do Setor Técnico e Científico, perito criminal federal Cleiton Lopes, os níveis de contaminação estão quase 100 vezes maiores que o permitido.
“Levantamos informações técnicas e com produção de laudos de níveis de contaminação altíssimas. Na ordem de 100 vezes daquilo que seria admissível. Temos observado tanto em termos de contaminação do meio ambiente, a água do rio Madeira próximo da foz. Identificamos contaminação de mercúrio inclusive na vegetação próxima dos rios. É um problema invisível porque vai causar sérios danos ao longo do tempo, 10 e 20 anos. Isso atinge as crianças, dificulta o desenvolvimento neurológico. É algo que não conseguimos sensibilizar de imediato por conta disso”, alertou o perito criminal da PF.
Combate intensificado
Além do mercúrio, outras substâncias foram deixadas por conta da extração ilegal de minérios nestas regiões. Para o superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Umberto Ramos, as ações dos órgãos de combate precisam ser mais enérgicas para diminuir novas ações criminosas.
“A quantidade de mercúrio tem aumentado significativamente. Isso revela uma necessidade de ação cada vez mais contundente, enérgica. O meio utilizado para a prática. Encontramos também cianeto que é outro componente altamente perigoso para a saúde humana. Portanto as nossas ações no que tange ao enfrentamento das organizações criminosas que atuam na extração ilegal de minério precisam ser contudentes, enérgicas e irreversíveis”, declarou Umberto Ramos.