Semente plantada em 2022
A recente confirmação de que as doações ao Fundo Amazônia por parte de países como Noruega e Alemanha, interrompidas desde 2019, serão retomadas, é outro sinal do inevitável dinamismo desse mercado
O Amazonas deu, em 2022, um importante passo para entrar definitivamente no mercado de carbono ao estabelecer cotas e alocação dos créditos disponíveis para comercialização. São mais de 809,6 milhões de toneladas de carbono equivalente disponíveis para venda, o que pode render ao Estado até US$ 2,4 bilhões.
Com o anúncio, feito na COP27, o Amazonas demonstra, na prática, a importância de manter e floresta preservada. Trata-se do marco inicial de um novo momento para a economia do Estado, exatamente quando conter o avanço do aquecimento global torna-se uma questão urgente em todo o mundo. Foi o principal anúncio que o Amazonas fez na 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP-27) e que deve, a partir desse ano, sair do papel.
É consenso entre especialistas que a exploração racional da Amazônia pressupõe a manutenção da floresta, da biodiversidade, dos povos tradicionais e de toda sua riquíssima cultura. O mercado de créditos de carbono é um dos caminhos mais promissores para monetizar a preservação ambiental, com potencial para proporcionar ao Estado arrecadação, no mínimo, equivalente a que é gerada pela Zona Franca de Manaus.
O mercado de créditos de carbono é um negócio gigantesco que tende a aumentar ainda mais com a aceleração da crise climática. Nesse cenário, o Brasil está entre os países mais privilegiados, uma vez que abriga aproximadamente 60% da Amazônia, bioma que contribui de maneira fundamental para o “sequestro” de gás carbônico da atmosfera. A recente confirmação de que as doações ao Fundo Amazônia por parte de países como Noruega e Alemanha, interrompidas desde 2019, serão retomadas, é outro sinal do inevitável dinamismo desse mercado.
Com a atitude do governo estadual, o Amazonas se colocou na vanguarda ambiental do País, lançando uma iniciativa que deve ser seguida pelos demais estados Amazônicos. Lamentavelmente, o Congresso Nacional tem preferido se debruçar sobre projetos que vão na contramão do mundo. Há um pacote de projetos de lei em tramitação para flexibilizar regras de licenciamento ambiental, garimpo, regularização fundiária e uso agrotóxicos e ainda dificultar a demarcação de terras indígenas. O Amazonas deu exemplo. Que o Congresso faça o mesmo.