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A Crítica
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Simpósio reúne grupos defensores dos direitos indígenas em Manaus

Simpósio povos indígenas, r-existência às políticas neoliberais na Amazônia iniciou na quarta-feira, 27

Publicado em 29/04/2022 às 18h20
Simpósio reúne grupos defensores dos direitos indígenas em Manaus
Foto: Malu Dacio

O bem viver dos povos indígenas e os caminhos para o direito à cidade foram os temas que encerraram o último ciclo de mesas redondas e debates do Simpósio povos indígenas, r-existência às políticas neoliberais na Amazônia, que iniciou na quarta-feira, 27, e encerra hoje, 29, com um Ato Público às 17h na praça expedito Monteiro, zona centro sul de Manaus. 

O evento está sendo realizado por instituições e grupos  que lutam em favor dos povos indígenas como: Cáritas Arquidiocesana de Manaus, SARES – Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental, UEA – Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Escolar Indígena e Etnografia, DABUKURI/Ufam – Planejamento e Gestão do Território na Amazônia, CIMI – Conselho Indigenista Missionário, FOREEIA – Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas e REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica. O evento também conta com apoio do MISEREOR.

A mesa que teve como mediadora a professora Célia Aparecida Bettiol contou com Alva Rosa Tukano do FOREEIA, Maria Do Socorro Baniwa do Makira-Eta, Clarice tukano do Amarn, Regina Baré da Amism e o vereador Daniel Vasconcelos. 

Um dos temas defendidos por Alva Rosa Tukano do FOREEIA foi a importância da luta dos povos indígenas e todo o trabalho que as gerações anteriores tiveram.
 
“Tudo que a gente conseguiu de direito foi através da luta dos movimentos sociais junto com o movimento indigienista. Precisamos refletir, pensar e sempre atuar com muito diálogo. Vamos falar, colocar para tudo que pensamos. Isso não acontece a partir dos outros. Começa da gente”, defendeu Alva.

Regina Baré lembrou das dificuldades que a associação de mulheres indígenas enfrentou para se estabelecer na capital. “Todo esse histórico fortalece nossa luta. Começou com minha mãe, minhas tias e hoje nós damos continuidade nesse trabalho”, disse a artesã.

Maria do Socorro Baniwa afirmou que defender o bem viver é uma busca de melhorias. “ Porque é muita das vezes dentro das nossas comunidades, nós não temos essas alternativas. Também faltam apoio aos jovens, que estão ociosos, não tem expectativa de estudo ou trabalho e precisam sair do seu local. Tudo isso acontece em busca de alternativas de sobrevivência”, criticou a liderança indígena. 

A professora Clarice Tukano discursou emocionada a cerca da violência que muitas mulheres indígenas do alto rio negro enfrentam ao ter que sair de suas casas para trabalhe em serviços domésticos em cidades maiores.

“Quando essas mulheres chegam, são humilhadas moralmente quando dizem que não sabemos fazer as comidas e que não conseguimos fazer tarefas. E infelizmente, muita das vezes até sexualmente. Isso não pode acontecer”, disse.

“E no final de tudo isso nós ainda temos que escutar histórias de mulheres idosas que afirmam ter suas aposentadoria negadas porque não moram mais em seus locais de origem. Em qualquer lugar do mundo, seja na cidade ou na minha comunidade, eu nunca vou deixar de ser indígena“, exaltou Clarice.

Sobre o evento

A proposta do evento surgiu a partir da preocupação das instituições envolvidas na realização do Simpósio, com relação as ameaças que Amazônia vem sofrendo, sobretudo os Povos Indígenas, o evento tem como objetivo pensar, discutir e propor estratégias urgentes e necessárias para o bem viver dos povos e o desenvolvimento verdadeiro da Amazônia, não exploratório como vem acontecendo diante dos projetos de lei 191/2020 sobre mineração em terras indígenas e 490/2007 marco temporal das e das políticas neoliberais que ferem os Direitos Indígenas.
Durante a realização do evento haverá exposição de artesanatos e pinturas.

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