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Sonho de imigração da bailarina e do entregador de delivery

Jovem casal amazonense Kássia e Robson decidiu superar as adversidades e apostar em uma nova vida em Porto

Publicado em 28/12/2025 às 12h02
Sonho de imigração da bailarina e do entregador de delivery
Foto: Acervo pessoal

Porto, Portugal –  Morando há dois anos em Porto, cidade costeira no noroeste de Portugal conhecida pelas pontes imponentes e pela produção de vinho do Porto, a amazonense Kássia Karolina Silva de Souza, 24, nasceu e cresceu no bairro Praça 14, zona sul de Manaus. Ainda na capital amazonense, ela chegou a cursar faculdade de Direito, deu aulas de balé clássico em escolas particulares locais e trabalhou como social media em uma loja de variedades para conseguir pagar suas contas.

Só que a história começou bem lá atrás. A vinda para Portugal e o sonho de poder oferecer uma vida mais próspera para o filho Robert, na Europa, eram tão grandes que a jovem bailarina e ex-estudante de Direito não hesitou e, em uma decisão conjunta com o marido Robson, resolveu vender o pouco que tinham para levantar primeiramente dinheiro para a compra de uma única passagem, para que o esposo embarcasse primeiro para a França.

Legião Estrangeira Francesa e dificuldades

Lá, ele foi recebido pela tia da esposa e encaminhado para servir como voluntário na Legião Estrangeira Francesa, um corpo militar de elite do Exército francês criado em 1831 e composto por voluntários de diversas nacionalidades. No entanto, a tentativa de ingressar como legionário não deu certo, e Robson se mudou para Portugal com um pouco mais de um mês morando na França.


Com poucos recursos e muitos sonhos, casal apostou na mudança para a Europa; venderam tudo para construir um futuro melhor para o filho (Foto: Acervo pessoal)

 

Chegando em Porto, segundo Kássia, o esposo levou nove meses para organizar e juntar dinheiro para trazê-la. “Penso que nossa história, em si, é motivo de inspiração, pois tínhamos apenas 22 anos, sem o apoio ou uma vida financeira boa. Ele trabalhando como agente de portaria e sendo entregador de delivery em Manaus e eu dando aulas de balé e tendo nosso filho pequeno para cuidar. Mas sonhávamos em crescer, com coragem e muita fé em Deus, para vendermos as mobílias de dentro da casa onde morávamos e nossa única moto”, recorda Kássia.

Diferenças do idioma

Kássia Karolina ressalta que, entre as principais dificuldades, sentiu a diferença entre o português de Portugal e o português brasileiro, além de ter estranhado as altas temperaturas.   “O que dificulta às vezes é entendermos o que os portugueses falam. E o clima, pois chegamos no período em que iniciava o inverno aqui. Mas ainda sinto a diferença das temperaturas”, comenta. Do Brasil, sente falta de sua família e também da culinária. “Sinto falta de um bom peixe com farinha, tacacá, açaí, tucumã e dos amigos e familiares que estão em Manaus”, destaca.

Crescimemto

Como toda jovem, Kássia almeja realizar muitos sonhos ao lado do marido Robson. E entre eles, pretende ganhar espaço como influenciadora e ajudar no crescimento da agência de viagens construída pelo casal.   “Nosso intuito é ter estabilidade financeira, mas também liberdade e tempo para aproveitar a vida com o nosso filho. Claro que logo queremos comprar uma casa e, quem sabe, eu consiga também voltar aos palcos para uma apresentação de balé clássico”, ressalta.

Superação e gratidão

De acordo com a amazonense, para se manter e conseguir comprar as passagens para finalmente reunir a família, Robson precisou alugar uma moto para fazer entregas e morou em um quarto com mais de seis pessoas. Enquanto isso, ela, ainda em Manaus, criou a página no Instagram: @manauara_na_europa e organizou uma rifa contando a história do casal.

“Depois de muito esforço, conseguimos juntar o dinheiro e eu consegui embarcar junto com meu filho. Hoje estou regularizada e este ano consegui meu cartão de residência. Chegamos aqui na época em que ainda era possível se regularizar através da manifestação de interesse. Assim que cheguei aqui, consegui um trabalho com contrato e iniciei meu processo para me tornar residente. Foi este ano que consegui me regularizar”, conta.

Kássia Karolina, que mesmo com apenas dois anos morando em Portugal e todas as dificuldades já superadas, sente gratidão por tudo que foi conquistado até hoje. Segundo ela, que atualmente trabalha e tem investido, junto com Robson, em sua agência de passagens aéreas, os obstáculos surgem, mas poder olhar o resultado do esforço aparecendo é recompensador.


Entre o balé, a faculdade de Direito e a maternidade,nasceu a coragem de recomeçar fora do Brasil (Foto: Acervo pessoal)

 

“Logo que ficamos juntos, assim que cheguei, fomos enganados sobre um apartamento que não existia e tivemos que morar em um sótão durante três meses. Depois, conseguimos alugar o nosso apartamento atual onde moramos. Mas existem vantagens, como a tranquilidade do Porto, um lugar muito bom e bonito de se viver. Além da segurança, o que me surpreendeu foi o poder de compra que temos aqui e a facilidade de comprar coisas que no Brasil seriam difíceis de serem adquiridas com um salário mínimo”, compara.

Recomendações

Para os novos imigrantes, Kássia Karolina orienta: “Pesquise muito, prepare-se emocional e financeiramente. Entenda que não é fácil e que o começo pode ser duro. Mas se for o seu sonho, vá com coragem e, mesmo que ninguém acredite em você, vá! Lute e acredite em você! A vida fora do Brasil não é perfeita, mas pode transformar sua realidade se você tiver foco e persistência”, frisa, lembrando que sua jornada não é perfeita, mas deseja que seja inspiradora na vida de outras pessoas. “Quero que ela inspire outras pessoas que também estão buscando um recomeço”, almeja.

*Especial para A CRÍTICA

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