Subida do rio Negro alegra os comerciantes
Trabalhadores da Manaus Moderna comemoram a subida do rio Negro com a redução da distância percorrida
De domingo à domingo, sempre das 11h até às 19h, o Silva da Cunha vende gelo na orla da Manaus Moderna. O material dele abastece pequenos e médios comerciantes da região com sacas de até 50kg de gelo que custam até R$ 25. Desde que o rio Negro começou a encher, na capital do Amazonas, ele ficou mais aliviado, viu uma economia nos custos do trabalho. O valor da venda na fábrica de gelo não mudou, nem o da gasolina para abastecer o motor da canoa que ele usa para buscar e armazenar o produto. O que ajudou foi o rio.
Na sexta-feira (17), o rio Negro atingiu 27,39 metros, em Manaus, subindo 1,36m somente nos 25 primeiros dias de abril. O nível é maior do que os 24,58m registrados no mesmo período de 2024. Com a subida da água, o que “cai” é a distância que os trabalhadores precisam percorrer entre a canoa com o gelo e as escaldas da Manaus Moderna.
É que no tempo de vazante, a praia, que fica submersa durante a cheia, aparece e se torna um obstáculo para os carregadores contratos por Silva. Mas agora a embarcação está atracada nos “pés” da escada.
“Quando tá seco, fica muito longe, o sacrifício é maior e devido à distância tem que ter dois ou três carregadores e a diária tá saindo de R$ 80 até R$ 100. Agora que tá perto eu só contrato um”, contou.
Peixeiros Agradecidos
Ainda na área do centro, dento da Feira da Manaus Moderna, outra classe de profissionais agradece pela recuperação dos rios em todo o Amazonas: são os peixeiros. Um deles, Fernando Brandão, disse já notar que os fornecedores estão disponibilizando uma maior quantidade de peixes, algo que estava “em falta” durante o segundo semestre do ano passado. Mesmo com a mais disponibilidade os preços seguem sem alterações.
“Aqui, o que mais sai é jaraqui, a gente vende por unidade, então o preço varia, né? Mas tá R$ 100 o cento. Tem também tambaqui, que varia de R$ 40 a R$ 50, dependendo do tamanho. A matrinxã é a mesma coisa, mas a maiorzinha de todas é R$ 70”, explicou o peixeiro.
Rio Negro em Manaus
Embora a veloz subida do nível do Negro em Manaus tenha sido comemorada pelos trabalhadores que dependem diretamente dele ela ascendeu um alerta para os pesquisadores, um exemplo é o Serviço Geológico do Brasil (SGB) que já emitiu o primeiro alerta de cheias no Amazonas, em 2025.
O documento tem um aviso de inundação para alguns municípios, entre eles a capital do Amazonas. A previsão do SGB para Manaus é que o rio Negro atinja, aproximadamente, 28,68 metros, o que significa que vai ultrapassar a cota de inundação, marcada em 27,50m.
“Vivemos um período de eventos extremos, após enfrentarmos duas das maiores cheias [2021 e 2022] nossa região se deparou com as duas piores secas registradas [2023 e 2024]. Para este ano, espera-se uma cheia ordinária, entretanto há uma boa possibilidade de termos a cota de inundação superada e portanto mais uma grande cheia”, explicou o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial, Andre Luis Martinelli.
Impactos para o interior amazonense
A cheia não preocupa apenas Manaus, mas também o interior do estado, com destaque para os rios Madeira, Juruá, Purus e Alto Solimões. Dos 62 municípios amazonenses, 12 estão em Situação de Emergência, 14 em Alerta e 36 em Atenção.
Além dos já confirmados, alertas de risco de inundação também foram emitidos para outros municípios ao longo da última semana como Lábrea, Itamarati, Pauiní e Ipixuna. Através de nota, a Defesa Civil Municipal da última cidade na lista se manifestou e disse que já iniciou as principais ações de enfrentamento em estágio inicial. Acompanhe a seguir a nota na íntegra.
“A Defesa Civil do município atua de forma intensa com ações de elevação de pontes e levantamento de assoalhos nas residências mais atingidas. A Secretária Municipal de Assistência Social também está na linha de frente, realizando a entrega de cestas básicas, Botijões de gás e água potável para as famílias impactadas. A Prefeitura de Ipixuna segue com todas as equipes mobilizaras para atender a população e mitigar os efeitos da enchente. O monitoramento do nível do rio continua sendo realizado diariamente, com prioridade para ações de prevenção, apoio e segurança das comunidades”, informou a nota.
Ajuda humanitária
Na última quarta-feira, o município de Humaitá recebeu ajuda humanitária enviada pelo Governo do Amazonas, como parte das ações de apoio à população afetada pela cheia no interior do estado. No total, a cidade recebeu 80 toneladas de alimentos, distribuídas em 4 mil cestas básicas, 300 caixas d’água de 500 litros, 300 caixas contendo 9 mil copos de água potável, além de dois kits de purificadores de água do projeto Água Boa, destinados a comunidades sem acesso à rede de abastecimento.
Além de Humaitá, os municípios de Apuí e Manicoré também receberam insumos. As três cidades estão com decretos de Situação de Emergência reconhecidos pela Defesa Civil do Amazonas. Ao todo, a ação deve beneficiar aproximadamente 26 mil pessoas, distribuídas em mais de 8 mil famílias nos três municípios.