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Suspensão do pagamento do funcionalismo provoca protesto e agressão em Beruri

Servidores públicos municipais, incitados por um comunicado da prefeitura, agrediram delegado do Sinteam e cobraram desbloqueio das contas do município

Publicado em 29/12/2016 às 20h01 · Atualizado em 13/03/2022 às 05h25
Suspensão do pagamento do funcionalismo provoca protesto e agressão em Beruri

Indignados com o atraso no pagamento de dezembro e do décimo terceiro salário, servidores públicos de Beruri (a 170 quilômetros) ameaçaram invadir ontem o cartório do município, agrediram o delegado do Sindicato dos Profissionais em Educação (Sinteam), Ageu Lima de Oliveira e precisaram ser contidos por policiais militares.

O estopim da revolta foi o bloqueio judicial das contas da prefeitura ocorrido ontem e um comunicado atribuindo a retenção dos recursos ao delegado sindical. Ageu de Oliveira, que falou por telefone com a A CRÍTICA de dentro do quartel da PM, para onde foi levado para evitar o seu linchamento, responsabilizou o prefeito Odemilson Magalhães por incitação à violência. “O prefeito divulgou um nota em carro de propaganda volante dizendo que o responsável pelo bloqueio das contas fui eu”, disse.

Tanto o carro de som, como o seu operador, Madsson Oliveira, do setor de comunicação da prefeitura, foram detidos pela PM. Ageu de Oliveira contou que, na terça-feira, pediu providências da Promotoria de Justiça para garantir o pagamento dos salários de dezembro e do décimo terceiro salário. “Preocupado com a categoria pedi ao promotor Gerson de Castro Coelho providencia. Já que não tinha nenhuma justificativa da prefeitura se ia pagar o 13º e o mês dezembro. O doutor Gerson fez o procedimento”, relatou.

De acordo com ele, na quarta-feira, a prefeitura informou à promotoria que já estava fazendo pagamento das pendências salariais desde o dia 27 (terça-feira. “O promotor me perguntou se procedia a informação. Eu perguntei aos colegas. Muitos falaram que não tinham recebido. Nem todos receberam o décimo terceiro. Informei que nenhum tinha recebido o salário do mês de dezembro. Ele encaminhou ao juiz e o juiz resolveu bloquear as contas para garantir o pagamento. Ele (o prefeito) mandou um carro de som para a rua induzindo as pessoas a colocar minha vida em risco”, afirmou Ageu de Oliveira.

Ele disse foi agredido verbal e fisicamente com socos e ponta pés na sede do sindicato e nas dependências do fórum de Justiça. Nem o promotor, Gerson Castro, nem o juiz Glen Machado se encontram no município. “Estou sofrendo represálias da população que não sabe dos fatos. Me agrediram por duas vezes, me deram chute, me empurraram, jogaram pedra em mim. A polícia chegou e fez minha proteção. Estão ameaçando invadir minha casa e tocar fogo. Estou atribulado. Minha família esta sofrendo risco”, disse o professor.

Um vereador do município, que pediu para não ser identificado, informou que o pagamento dos servidores estava em andamento desde a terça-feira e foi paralisado pelo bloqueio judicial. “São 1.369 servidores. A folha não estava atrasada. Começaram a receber o mês de dezembro ontem (quarta-feira). O prefeito prestou essa informação à Justiça. O juiz deferiu o bloqueio 1h da madrugada. Hoje amanheceu bloqueado. Em torno de 50% dos funcionários não receberam o mês de dezembro e o décimo. E o dinheiro esta na conta”, disse.

A sentença

Decisão emitida pelo juiz Glen Machado bloqueou, ontem, R$ 2,6 milhões das contas da prefeitura. O bloqueio atendeu a representação de autoria promotor de Justiça Gerson de Castro Coelho e visa garantir o pagamento da folha de pessoal do município de dezembro e do décimo terceiro salário.

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