Unindo liberdade e satisfação pessoal
Aos 29 anos, o amazonense Hamilton Cidade deixou o Amazonas para morar em Quebec, no Canadá
Berthier-sur-Mer, Canadá – Considerando-se um aventureiro de ‘carteirinha’ e apaixonado por explorar, conhecer e valorizar outras culturas, incluindo, é claro, a cultura amazônica, o amazonense Hamilton Maia Cidade Júnior (55) decidiu, aos 29 anos, embora ainda muito jovem, recomeçar sua história fora do Brasil, onde pudesse unir satisfação pessoal, espírito de liberdade e sucesso profissional em uma única fórmula. O país escolhido foi o Canadá, na América do Norte.
O manauara não pensou duas vezes em arrumar as malas e deixar para trás suas experiências profissionais adquiridas no Amazonas, incluindo passagens como apresentador de um programa na Rádio Rio Madeira (de propriedade da família), em Manicoré, e até em um mandato de vereador para inicialmente lavar pratos em um restaurante em Montreal.
“Sempre busquei conhecer novas culturas. Eu viajei e viajo muito, e a minha decisão de imigração veio de um sentimento de busca de liberdade. Eu sempre quis viver o mundo; era um menino cheio de sonhos. Sonhava em viver em um país frio. Olha onde estou hoje”, brinca.
Segundo ele, ir em busca dos seus sonhos, mesmo já possuindo uma certa estrutura e estabilidade no Brasil, não foi tão fácil. Hamilton diz que sabia que iria ter que começar do nada. “Eu nasci em Manaus, uma cidade pela qual tenho muito carinho e orgulho. Minha família paterna vem de Manicoré e a materna é de Santarém (PA). A Amazônia sempre está no meu coração. Quando eu me mudei, a minha satisfação pessoal era a minha prioridade. Eu estava disposto a recomeçar em todos os sentidos. A minha vontade de vencer era e ainda é o que me motiva”, recorda.
Apaixonado por culturas, Hamilton deixou Manaus para viver o mundo (Arquivo pessoal)
De volta aos estudos
Ao chegar em Montreal, definida pelo amazonense como uma cidade cheia de encantos, em um misto de cultura europeia com a norte-americana, ele não apenas voltou aos bancos acadêmicos, onde concluiu os cursos de Comunicação em Animação Cultural e de Imigração e Relações Interculturais (área relacionada ao Serviço Social) pela Universidade do Québec, em Montreal, mas também teve que lidar com toda a rotina de um imigrante e todas as vantagens e desvantagens de uma pessoa que opta por morar em outro país.
“A minha chegada não foi diferente de nenhum outro imigrante e, como todos, foi cheia de surpresas e descobertas: uma nova cultura, um novo idioma, um clima diferente, oportunidade de fazer novas amizades, nova comida. Me deparei ali com todo o processo de adaptação. A diferença é que estava ali fazendo tudo do zero e com outras perspectivas”, afirma.
Após concluir os cursos superiores, Hamilton passou a construir toda uma história profissional durante os 26 anos em que está fora do Brasil. Com o diploma canadense em mãos, ele percorreu profissionalmente áreas na imigração, onde foi diretor de Imigração no Norte do Canadá, passou por áreas de rádio e TV e, atualmente, trabalha como assessor parlamentar direto de um deputado provincial em Berthier-sur-Mer, em Quebec.
“Sempre fui muito vanguardista. No Brasil, comecei na comunicação apresentando um programa na Rádio Rio Madeira, em Manicoré, que pertence à minha família. Aprendi essa arte com meu pai, Hamilton Cidade, que era médico e deputado na época. E trouxe isso na veia. Hoje trabalho na assessoria parlamentar no Québec, um novo desafio por estar próximo das decisões políticas,” aponta.
Informação e preparação antes de imigrar
Hamilton Cidade ressalta que antes de tudo, é importante que qualquer cidadão que almeje morar fora do Brasil procure estudar o local onde pretende morar, se informar, se preparar e então tomar a decisão de embarcar na jornada de imigração. 
Entre culturas, neve e sonhos, Hamilton reescreve sua história; há 26 anos, ele atravessou fronteiras e reescreveu sua história no Canadá (Arquivo pessoal)
“Lembrem-se: não existe lugar perfeito no mundo. Procurem seguir o seu coração. Eu me preparo para um dia viver uma experiência humanitária. Quero participar de alguma ação da Cruz Vermelha em algum país que precise de ajuda. Pode ser na Amazônia ou, quem sabe, em qualquer lugar do mundo! Sou um verdadeiro cidadão do mundo, ” conclui.
Desafios
Para Hamilton Maia, entre suas maiores dificuldades ao se mudar do Brasil, foi a ausência da família e a necessidade de começar uma nova vida longe do calor familiar.
“São decisões que precisamos tomar com muita consciência. Recomeçar uma nova vida requer lucidez e aceitação das escolhas feitas,” analisa, destacando que, das coisas que mais gosta no Canadá, é o estilo de vida nórdico. “Gosto da praticidade e da organização. Viver em um novo país requer uma adaptação que inclui conhecer a história e a cultura do seu povo,” analisa, reforçando que do Amazonas sente muita falta da comida. “Sinto falta da gastronomia, especialmente dos peixes. E sinto falta da família e dos eternos amigos, pessoas cuja amizade é mais forte que o tempo e a distância,” cita.
Futuro e projetos
O assessor parlamentar diz que é movido a novos projetos e que busca sempre continuar aprendendo, se reinventando profissionalmente, mantendo a humildade e não medindo esforços para recomeçar, caso isso seja necessário. Além disso, desenvolver projetos que colaborem para o crescimento e visibilidade do Amazonas estão no seu radar.
“O Amazonas precisa aproveitar os amazonenses que vivem fora do Estado como embaixadores da nossa terra. Seja no turismo, no meio empresarial ou no meio acadêmico. Eu adoraria ajudar o Estado a crescer e melhorar o nível de vida dos amazonenses de todas as regiões,” almeja.